Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem utilizado a imagem de Nossa Senhora Aparecida em discursos e aparições públicas desde que emergiu a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e uma suposta fake news sobre a padroeira do Brasil. No entanto, segundo apuração do analista de Política da CNN Pedro Venceslau, no CNN 360°,essa abordagem não foi incorporada à campanha oficial de rádio e televisão.
De acordo com Venceslau, a decisão de abordar o tema não foi tomada de forma estratégica nem alinhada com os marqueteiros no quartel-general da campanha em Brasília. “Foi algo intuitivo”, afirmou o analista, usando a palavra que lhe foi transmitida por interlocutores da campanha.
Gestos e discursos religiosos marcam aparições públicas
Em Belém, Lula recebeu das mãos de Helder Barbalho (MDB) uma estatueta de Nossa Senhora de Nazaré durante um comício e a ergueu em um gesto que se tornou o registro fotográfico do dia.
Já em Fortaleza, em um discurso improvisado, afirmou: “Enquanto eu for presidente, a Nossa Senhora Aparecida será padroeira do Brasil.” Segundo Venceslau, ao fazer tais declarações, Lula não afirma diretamente que Flávio Bolsonaro teria proposto que a santa perdesse o título de padroeira, mas mantém o assunto em evidência.
Nas redes sociais, deputados do PT (Partido dos Trabalhadores), lideranças de movimentos sociais e influenciadores de esquerda têm exaltado a imagem de Nossa Senhora Aparecida de forma intensa.
Na Avenida Paulista, onde está situada a CNN, havia pessoas distribuindo adesivos com a imagem da santa. A estratégia, porém, não se reflete nas redes sociais oficiais da campanha nem no horário eleitoral gratuito.
Fake news mantém Flávio Bolsonaro na defensiva
Segundo Venceslau, o desgaste causado pela fake news foi um dos fatores que levou Flávio Bolsonaro a decidir participar de debate eleitoral mesmo sem a presença de Lula e ciente de que seria alvo de adversários.
A repercussão da desinformação teria tomado proporções inesperadamente grandes, colocando a campanha de Flávio em posição de ter que rebater a narrativa continuamente.
O analista ressaltou que esse tipo de dinâmica não é inédito na política brasileira. Notícias surgem de forma anônima nas redes sociais, ganham corpo e se transformam em ondas que, muitas vezes, campanhas utilizam de forma dissimulada como caixa de ressonância para ampliar sua projeção.
A âncora da CNN Débora Bergamasco pontuou que cada nova decisão judicial sobre o tema, seja de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) ou do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), contribui para manter o assunto aquecido — o que, segundo a análise, favorece diretamente a campanha de Lula.

