A indústria brasileira de carne bovina passa por uma transformação estrutural, impulsionada pelo avanço da produtividade, pela demanda internacional e pela necessidade de adequação da cadeia às exigências de cada mercado consumidor. A avaliação é de Eduardo Pedroso, diretor executivo de Originação e Confinamentos da Friboi, da JBS, durante o debate sobre os rumos da pecuária brasileira.
Segundo Pedroso, a cadeia produtiva brasileira vem se estruturando diante de uma combinação de grande escala de produção, redução da área de pastagens e aumento da eficiência dos animais. Nos últimos anos, o país reduziu em cerca de 18% a área de pastagem, movimento que exige da indústria e dos produtores uma adaptação dos sistemas produtivos.
Na visão do executivo, a indústria tem um papel importante nesse processo ao conectar a produção brasileira às diferentes demandas do mercado internacional. O avanço da produtividade permite ampliar a oferta de carne sem depender necessariamente da expansão das áreas utilizadas pela pecuária.
Um dos pontos destacados por Pedroso é a busca por animais mais pesados e mais jovens. Em outras apresentações, o executivo já apontou que propriedades brasileiras trabalham com animais abatidos entre 25 e 26 arrobas aos 18 ou 20 meses, resultado associado à intensificação dos sistemas produtivos.
Para Pedroso, o crescimento da demanda chinesa foi um dos fatores que aceleraram mudanças na cadeia da carne bovina brasileira. O movimento aumentou a necessidade de eficiência e também colocou maior atenção sobre questões como sustentabilidade, rastreabilidade e idade de abate.
A indústria passou a trabalhar cada vez mais com a necessidade de entender as características de cada destino. O mercado chinês, por exemplo, possui uma dinâmica diferente de outros compradores internacionais, enquanto novos mercados estabelecem exigências específicas relacionadas à produção, sanidade e sustentabilidade.
“Vivemos uma grande mudança setorial com a demanda chinesa”, afirmou Pedroso.
Nesse cenário, a estratégia da indústria deixa de ser apenas aumentar o volume produzido e passa também por adequar o produto ao mercado de destino.
Pedroso também chamou atenção para o atual cenário do comércio internacional, marcado por medidas de proteção aos mercados domésticos. Segundo ele, mecanismos de salvaguarda adotados por diferentes países podem alterar os fluxos comerciais e interferir diretamente na dinâmica da pecuária brasileira.
Em junho, Pedroso já havia relacionado o cenário da carne bovina à geopolítica e às medidas adotadas por países para proteger produtores e indústrias locais. Na ocasião, afirmou que essas movimentações também abrem espaço para o Brasil ampliar sua participação no mercado internacional.
Para o executivo, a indústria brasileira precisa, portanto, acompanhar essas mudanças e direcionar a produção de acordo com as oportunidades e exigências de cada comprador.
Na avaliação de Pedroso, o próximo grande avanço da pecuária brasileira deve ocorrer justamente dentro das propriedades, com aumento da produtividade e maior eficiência na utilização dos recursos disponíveis.
A indústria já trabalha com indicadores que combinam rendimento, eficiência biológica e velocidade de giro da produção. Entre os parâmetros apresentados estão animais de até dois dentes, peso de 25 arrobas, rendimento de carcaça de 60% e eficiência biológica de 125 quilos de matéria seca por arroba produzida.
“O maior salto está por vir. Vamos ter mais incremento no campo”, afirmou.
A avaliação é que o aumento da produtividade no campo tende a ampliar a capacidade de atendimento da indústria e, ao mesmo tempo, permitir que a carne brasileira seja direcionada de forma mais precisa para os diferentes mercados consumidores.
A própria JBS vem associando produtividade, eficiência e sustentabilidade à estratégia de longo prazo da cadeia de fornecimento. A companhia afirma que busca ampliar a produtividade dos fornecedores e apoiar a adoção de práticas regenerativas e tecnologias voltadas à eficiência produtiva.

