A Agência Federal de Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos aprovou um novo remédio para o tratamento de Parkinson, uma doença neurológica progressiva que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
O medicamento aprovado é o JUVMO da empresa AbbVie. De acordo com a farmacêutica, o remédio é o primeiro e único agonista seletivo do receptor D1/D5 para o tratamento de adultos com doença.
A AbbVie prevê disponibilizar os comprimidos para pacientes nos EUA ainda em outubro deste ano. No Brasil, ainda não há previsão da chegada do remédio, segundo a Anvisa.
A farmacêutica explica que o JUVMO deve ser utilizado em combinação com a levodopa oral, medicamento base do tratamento de Parkinson.
Um dos maiores desafios é manter o controle consistente dos sintomas motores à medida que a doença progride. O novo remédio pretende controlar mais aumento dos sintomas.
Apesar da levodopa oral ser eficaz, muitos pacientes necessitam de doses maiores e mais frequentes ao longo do tempo. Cerca de 70% das pessoas com doença de Parkinson têm sua dose de levodopa oral aumentada no primeiro ano de terapia.
Esses ajustes podem ajudar a restaurar o controle dos sintomas, mas também podem contribuir para complicações relacionadas ao tratamento, como a discinesia.
Já durante os testes do novo medicamento, após 85 semanas de tratamento com JUVMO, 93% dos participantes do ensaio clínico não aumentaram a dose de levodopa oral e 94% dos participantes com doença de Parkinson em estágio inicial não haviam iniciado o uso de levodopa oral.
Segundo a AbbVie, o novo remédio traz uma abordagem diferente dos agonistas da dopamina – que são usados para controlar os sintomas e reduzir a dependência do aumento gradual da levodopa oral, e pode ter o uso limitado por problemas de tolerabilidade.
O JUVMO visa seletivamente os receptores D1/D5 para fornecer aos profissionais de saúde e pacientes uma nova opção para o controle dos sintomas motores em todo o espectro da doença de Parkinson.
“Pessoas com Parkinson e os médicos que cuidam delas enfrentam há muito tempo o difícil equilíbrio entre controle motor, carga do tratamento e tolerabilidade. Agora, os médicos têm uma nova opção de tratamento que atua nas vias dopaminérgicas de forma diferente e reduz os difíceis dilemas associados aos agonistas seletivos de dopamina D2/D3”, explica a diretora científica da farmacêutica, Roopal Thakkar.
A aprovação do JUVMO representa o primeiro avanço dopaminérgico para a doença de Parkinson em décadas
Roopal Thakkar, MD, vice-presidente executiva de pesquisa e desenvolvimento e diretora científica da AbbVie
Hubert Fernandez, professor de neurologia da Faculdade de Medicina Lerner da Cleveland Clinic, explica que a terapia da doença sempre exigiu que os profissionais de saúde equilibrassem a necessidade de um controle confiável dos sintomas motores com considerações sobre a tolerabilidade do tratamento.
Mas, que “agora temos uma nova terapia que tem como alvo seletivo os receptores D1/D5, o que atende a uma antiga necessidade de inovação e oferece aos profissionais de saúde maior flexibilidade para adaptar o tratamento às necessidades individuais de cada paciente.”
Em nota à CNN Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que “até o momento não temos novidades por aqui”.
*Sob supervisão de Thiago Félix
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