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Disputa presidencial pode terminar no 1º turno? Especialista avalia chances

Radar Olhar Aguçado(há 33 minutos)
Disputa presidencial pode terminar no 1º turno? Especialista avalia chances

A corrida presidencial pode ser definida já no primeiro turno, segundo projeção do jornalista Pedro Dória, que coordena a pesquisa Meio/Ideia em parceria com Maurício Moura, fundador do Instituto Ideia. Os dados mais recentes da pesquisa revelam um cenário extremamente acirrado e repleto de variáveis que podem surpreender.

Em entrevista ao Live CNN desta quinta-feira (1º), Dória destacou que a possibilidade de encerramento no primeiro turno vale para qualquer um dos lados. “Tanto Flávio (PL) quanto Lula (PT) podem vencer no primeiro turno“, afirmou.

De acordo com a legislação eleitoral, para isso acontecer, é necessário que um dos candidatos obtenha uma maioria de mais de 50% dos votos válidos (excluindo brancos, nulos e abstenções).

Ele lembrou que a vitória em primeiro turno em uma disputa presidencial ocorreu somente duas vezes desde a redemocratização, nas vitórias de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nas eleições de 1994 e 1998.

Números apertados e eleitorado dividido

A pesquisa Meio/Ideia divulgada na quarta-feira (30) aponta empate técnico no primeiro turno: Lula aparece com 39,4% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro registra 38,4%. “Eles estão a mais de 10 pontos de uma vitória no primeiro turno”, explicou Dória.

No entanto, o analista destacou que há um conjunto de fatores que pode alterar significativamente esse quadro até o domingo da votação.

Um dos elementos centrais da análise é o comportamento do eleitorado insatisfeito. Segundo a pesquisa de agosto, 36% do eleitorado declarou não querer votar nem em Lula nem em Flávio Bolsonaro.

“É uma eleição em que as pessoas estão de má vontade, estão infelizes com as escolhas, em que os partidos não deram opções que as agradassem. Não é que esse terço do eleitorado não queira votar, eles querem mudar o disco”, disse.

Segundo o jornalista, porém, entre esse grupo de 36%, a proporção é de quatro votos para Flávio Bolsonaro para cada um destinado a Lula.

Abstenções e voto útil como fatores decisivos

Dória também chamou atenção para a tendência crescente de abstenções desde 2014. Os grupos que mais costumam faltar às urnas coincidem justamente com a base eleitoral mais fiel de Lula: idosos acima de 70 anos, menos escolarizados e mais empobrecidos.

“O presidente Lula chega, por exemplo, entre aqueles escolarizados até a quarta série, a até 85% das intenções de voto. E essas são justamente as pessoas que tendem a faltar mais”, apontou.

Por outro lado, o eleitorado mais insatisfeito com as opções tende a ser de perfil mais à direita, o que pode reduzir o comparecimento de potenciais eleitores de Flávio Bolsonaro.

Além disso, 7% do total do eleitorado, que hoje declara intenção de votar em candidatos menores, como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) ou Romeu Zema (Novo), afirmou cogitar migrar o voto para um dos dois líderes até o domingo.

“O grosso dessas pessoas diz que vai votar em Flávio Bolsonaro. Ou seja, pode ser que o Flávio, que hoje tem 38%, chegue a 46% só com pessoas que resolveram fazer o voto útil em cima da hora”, destacou Dória.

Probabilidades e impacto do debate

Dória também apontou para o que ele chama de “eleitorado de fãs“, os que votarão com convicção nos dois líderes das pesquisas. Segundo ele, 25% estão ao lado de Flávio Bolsonaro e 36% são fiéis a Lula.

No entanto, o jornalista chamou a atenção de que, apesar de o eleitorado fiel ao candidato bolsonarista ser menor, a rejeição a Lula é maior.

“A cada dez vezes que você jogar os dados, em seis vezes essa eleição vai para o segundo turno, em duas vezes a eleição vai para Flávio Bolsonaro, e em duas vezes vai para o presidente Lula. É assim que a eleição está divivida”, comparou Dória.

O jornalista observou também que a disputa presidencial está empatada tanto nas intenções de voto para o primeiro turno quanto para o segundo turno. “Eu nunca vi uma eleição tão apertada quanto essa nas pesquisas”, ressaltou.

Sobre o debate marcado para a noite desta quinta-feira, com a ausência de Lula e a presença de Flávio Bolsonaro, Dória avaliou que o evento representa riscos para ambos os lados.

Um erro grave de Flávio no debate poderia prejudicá-lo imensamente, enquanto horas de ataques a Lula, sem que ele esteja presente para se defender, também podem impactar negativamente sua candidatura.

“As pessoas estão buscando motivo para não votar em alguém, para decidir se saem de casa. Em uma eleição tão apertada, qualquer coisa, quanto mais se aproxima do domingo, pode definir”, concluiu.

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