As cápsulas já representam uma mudança no faturamento com café no Carrefour, um aumento de 30%, segundo dados divulgados pela rede, que não revelou o valor nominal, mas destacou a mudança de comportamento de consumo do brasileiro. As cápsulas, em geral, tem cerca de cinco gramas de café.
No Brasil, líder mundial do grão, empresas do setor que fabricam cápsulas têm usado arábicas e conilons para avançar na categoria como cafés especiais também, conectando produtores deste segmento com um varejo mais especializado ou, como no caso da rede de supermercados, que têm investido mais em cafés.
A participação evidencia o espaço conquistado pelos diferentes formatos de consumo em uma cadeia que tem o Brasil como maior produtor mundial do grão.
Segundo a varejista, a popularização das máquinas domésticas e a busca por praticidade impulsionam as vendas das cápsulas. Os cafés tradicionais e extrafortes, porém, seguem como a base do consumo: juntos, concentram cerca de 70% do volume vendido pela rede.
Os indicadores medem aspectos diferentes do negócio. Enquanto a participação das cápsulas se refere à receita, a dos tradicionais e extrafortes considera a quantidade comercializada. Os números retratam a operação do Carrefour e não representam todo o mercado brasileiro.
A diversificação nas gôndolas ocorre em um país cuja força cafeeira começa nas lavouras. Maior produtor e exportador mundial de café, o Brasil responde por cerca de 30% a 35% da produção global, segundo a Embrapa.
No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola referente a junho, o IBGE estimou a safra brasileira de 2026 em 66 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 14,7% em relação a 2025.
A projeção reunia 44,4 milhões de sacas de arábica e 21,6 milhões de canephora, espécie que inclui o conilon e o robusta. Os números são estimativas daquele levantamento, sujeitos a revisões ao longo do ano.
Na ponta do consumo, além das cápsulas, o Carrefour identifica procura por cafés de categorias superiores. As versões gourmet respondem por cerca de 5% do faturamento com café, em um cenário de ampliação da oferta de marcas e produtos, de acordo com a empresa.
São Paulo e Rio de Janeiro lideram a demanda pelas linhas especiais e gourmet na rede, seguidos por Brasília e Goiânia. Minas Gerais apresenta um contraste: embora seja um dos principais polos da cafeicultura brasileira, mantém, nas lojas do Carrefour, a preferência pelos cafés tradicionais e extrafortes.
Para a cadeia cafeeira, esse retrato sugere espaço para estratégias comerciais que combinem diferentes formatos, perfis de bebida e mercados regionais. A presença das cápsulas e das linhas gourmet mostra que a disputa pelo consumidor envolve também a apresentação e a experiência de consumo do produto.
Os dados divulgados, no entanto, não permitem medir quanto dessa receita retorna ao cafeicultor nem quantificar o crescimento das categorias ao longo do tempo, já que a rede não apresentou uma série histórica ou informou o período de apuração.

