Cuba enfrenta uma das piores crises energéticas de sua história recente. Apagões prolongados deixam cidades inteiras no escuro, incluindo Havana, e afetam profundamente a rotina da população, do trânsito à alimentação e ao sono.
O correspondente da CNN Patrick Oppmann percorreu as ruas da capital cubana durante a noite para mostrar de perto a nova realidade dos cubanos — noites quentes, sem dormir e sem energia elétrica. A reportagem foi veículada durante o Bastidores CNN.
Ao parar no Parque Central de Havana, Oppmann descreveu a cena: hotéis ao redor completamente às escuras e um céu tão limpo que era possível ver as estrelas.
Cidade famosa pela vida noturna vira “cidade de sombras”
Havana, conhecida mundialmente por sua agitada vida noturna, tornou-se uma cidade de sombras. Ao percorrer as ruas no escuro, o correspondente relatou que a única grande concentração de pessoas encontrada era uma fila para conseguir pão, que se esgotava rapidamente.
“A vida tornou-se cada vez mais inacessível”, disse Oppmann. “Se há algum produto alimentar à venda, as pessoas imediatamente entram na fila para consegui-lo, porque vai acabar.”
Um taxista identificado como Yasmani relatou que há poucos turistas para transportar e que os apagões ocorrem todas as noites, a noite toda.
Para passar o tempo, ele contou que joga dominó ou senta na varanda ventilando a filha para que ela consiga dormir e ir à escola no dia seguinte.
Moradores relatam exaustão e revolta
A raiva transborda no calor da noite. Moradores ouvidos pela reportagem relataram que os apagões chegam a durar mais de 24 horas em alguns bairros. “Todo dia estamos cansados demais para ir trabalhar, para levar as crianças à escola. Estamos todos exaustos”, disse uma moradora.
Outro residente expressou indignação: “Ir dormir sem energia e sair sem energia — é demais. É um crime.”
Além da duração dos apagões, moradores também criticam a forma como a energia disponível é distribuída. Oppmann explicou que, em algumas ruas, um lado tem energia enquanto o outro permanece no escuro.
Autoridades cubanas atribuem parte da crise ao que chamam de guerra econômica travada pelos Estados Unidos contra o país, por meio do bloqueio de petróleo.
No entanto, enquanto as tensões entre Cuba e os EUA persistem sem sinais de negociação, são os cidadãos comuns que dizem estar pagando o preço.

