A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, os institutos de pesquisa se debruçam sobre os desafios nas metodologias para retratar com precisão o comportamento do eleitorado.
Em participação no programa O Grande Debate Eleições 2026, na quarta-feira (30), Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, avaliou o desempenho dos institutos de pesquisa nas eleições de 2022 e apontou os principais desafios metodológicos do setor diante da aproximação do pleito de 2026.
Tokarski explicou que a Nexus adota uma postura agnóstica em relação às metodologias de pesquisa, realizando levantamentos tanto por telefone quanto de forma presencial.
Para ele, não existe uma metodologia perfeita: enquanto pesquisas presenciais têm dificuldade de acesso a comunidades e condomínios de luxo, as pesquisas telefônicas enfrentam o problema de pessoas que simplesmente não atendem. “Você vai ter impedimentos nas duas metodologias”, destacou.
Nos projetos eleitorais, a Nexus aposta preferencialmente na pesquisa telefônica. A justificativa, segundo Tokarski, é que esse formato tende a captar um eleitor mais decidido.
“É mais fácil desligar o telefone do que recusar uma entrevista quando você é abordado presencialmente”, explicou. Nas pesquisas presenciais, o entrevistado pode acabar respondendo sem ter uma opinião formada, o que infla o número de indecisos.
O peso da abstenção nos resultados
Um dos pontos centrais da análise de Tokarski é o impacto da abstenção sobre os resultados eleitorais.
Ele destacou que, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a abstenção no Brasil tem quatro perfis dominantes: eleitores de baixa renda, de baixa escolaridade, homens — cuja taxa de abstenção é dois pontos percentuais acima da das mulheres — e eleitores com 60 anos ou mais. Nesse último grupo, o voto deixa de ser obrigatório a partir dos 70 anos.
“Há quatro anos (em 2022), a abstenção no eleitorado de 70 anos ou mais foi de 59%”, revelou.
Tokarski ressaltou que esse fenômeno não é novo e afeta especialmente o candidato que lidera as pesquisas.
“Qualquer conta que a gente faça, a vantagem do líder das pesquisas tende a ser menor na vida real”, disse, citando como exemplo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que nas duas eleições em que venceu no primeiro turno apareceu na urna com menos votos do que as pesquisas indicavam.
Para Tokarski, em 2022 os institutos de pesquisas superestimaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve um resultado mais tímido do que o previsto em levantamentos prévios.
“Eu discordo da tese que as pesquisas subestimaram o (ex-presidente) Jair Bolsonaro (PL). Na verdade, as pesquisas superestimaram Lula, que na urna apareceu menor”, afirmou.
Desafio para 2026
Para o CEO da Nexus, o maior desafio dos institutos de pesquisa é justamente estimar o impacto da abstenção. Os modelos utilizados atualmente se baseiam em padrões históricos, o que pode gerar distorções caso o comportamento do eleitorado mude.
“Se esse ano a abstenção tiver um padrão diferente, isso pode dar alguma diferença”, alertou.
A taxa de abstenção na última eleição foi de 20,9%. Diante disso, Tokarski concluiu que será necessário aguardar com calma o resultado das urnas para ter um retrato fiel da vontade do eleitorado.

