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Virginia Fonseca: especialista explica procedimento de extração dos sisos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Virginia Fonseca: especialista explica procedimento de extração dos sisos

A influenciadora Virginia Fonseca, relatou, nesta terça-feira (29), que passou por uma cirurgia para retirar dois sisos. Segundo a empresária, ela estava sentindo fortes dores antes do procedimento. Segundo um especialista, apesar da dor ser um grande ponto para a retirada dos sisos, não determina, necessariamente, a extração.  

O que faz um dentista recomendar a retirada dos sisos? 

O dentista e mestre em odontologia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Thiago Lucena, explica que a extração dos sisos é indicada quando há algum comprometimento na região.  

“A extração é indicada principalmente quando o siso provoca algum problema ou apresenta risco de comprometer a saúde bucal. Entre as situações mais comuns estão inflamações recorrentes na gengiva, infecções, cáries que não podem ser restauradas, lesões císticas, reabsorção do dente vizinho e comprometimento periodontal”, explica o dentista. 

Dores indicam um problema?  

O dentista informa que apesar da dor ser um atenuante para a extração, não é, necessariamente, o único motivo para a cirurgia.  

“A intensidade da dor, isoladamente, não determina a necessidade de extração. É fundamental identificar a causa do desconforto. Em alguns casos, a dor está relacionada a uma inflamação localizada que pode ser controlada inicialmente. Em outros, existe uma condição que torna a extração necessária, como infecções recorrentes, cáries extensas ou comprometimento do dente vizinho. O importante é não tratar apenas o sintoma. Precisamos realizar uma avaliação clínica e radiográfica para entender o que está acontecendo e definir a conduta mais adequada”, disse.  

Todos devem realizar a cirurgia?  

O dentista destaca que nem todos precisam fazer a extração.  

“Nem todo mundo precisa retirar os quatro sisos. Quando o dente está bem posicionado, possui espaço suficiente para nascer, permite uma higienização adequada e não apresenta cáries, inflamações ou alterações nos tecidos ao redor, ele pode permanecer na boca sem necessidade de extração. Até mesmo um siso incluso, que nunca nasceu, pode ser acompanhado quando não apresenta sinais de doença ou outras alterações que justifiquem a cirurgia. Nesses casos, é importante manter o acompanhamento odontológico periódico, com avaliação clínica e exames de imagem quando indicados”, informa.  

Procedimento de extração dos sisos 

O dentista Thiago explica que cada cirurgia tem uma complexidade, analisando a estrutura dos dentes e das raízes.  

“A complexidade depende principalmente da posição do dente e da sua relação com as estruturas anatômicas vizinhas. Quando o siso já nasceu completamente e está bem posicionado, a remoção pode ser semelhante à extração de outros dentes. Por outro lado, quando está incluso, inclinado ou completamente coberto pelo osso, pode ser necessário realizar uma incisão na gengiva, remover uma pequena quantidade de osso e, em algumas situações, dividir o dente para retirá-lo com segurança. Também avaliamos o formato e o desenvolvimento das raízes, a proximidade com estruturas importantes, como o nervo alveolar inferior e o seio maxilar, além da abertura bucal e das condições gerais de saúde do paciente”, avalia.  

Como funciona o pós-operatório?  

Thiago explica que o período de pós-operatório costuma ser de inchaço, dor controlada com medicamentos, principalmente nos primeiros dias. 

“A intensidade varia conforme a complexidade da cirurgia e as características individuais do paciente. Em geral, o edema aumenta nas primeiras 48 a 72 horas e depois começa a diminuir progressivamente. Também pode ocorrer dificuldade para abrir a boca e desconforto durante a mastigação. Com o uso correto das medicações prescritas, alimentação adequada, repouso relativo e cumprimento das orientações, a maioria dos pacientes apresenta uma recuperação satisfatória. É importante lembrar que a cicatrização completa leva mais tempo do que o desaparecimento dos sintomas iniciais”, destaca.  

Apesar da dor ser algo inevitável, mas controlável, é necessário analisar os sintomas.  

“Esse desconforto é esperado sentir nos primeiros três a cinco dias após a cirurgia, principalmente quando a extração é mais complexa. O mais importante é observar a evolução: a dor deve diminuir progressivamente, e não aumentar com o passar dos dias. Quando a dor se torna muito intensa, piora após o terceiro ou quarto dia, ou volta a aumentar depois de uma melhora inicial, precisamos investigar possíveis complicações, como a alveolite ou uma infecção”, analisa.  

Quais são os principais cuidados? 

Os cuidados nos primeiros dias após a cirurgia são:  

  • Manter repouso relativo, evitando atividades físicas e esforços intensos.  
  • Fazer compressas frias na região externa do rosto, conforme orientação profissional. Consumir alimentos frios ou em temperatura ambiente, macios e de fácil mastigação. Evitar alimentos muito quentes, duros ou que possam traumatizar a região operada. 
  • Não fumar e evitar bebidas alcoólicas durante o período de recuperação. 
  • Não realizar bochechos vigorosos, cuspir repetidamente ou usar canudo nas primeiras 24 horas. 
  • Manter a higiene bucal com cuidado, sem traumatizar a região da cirurgia. 
  • Utilizar corretamente as medicações prescritas e comparecer ao retorno indicado. 

No entanto, cada pessoa pode ter uma recuperação de uma forma diferente.  

“Um dos principais é a complexidade da cirurgia e experiência do cirurgião. Um siso que já nasceu e está bem posicionado geralmente exige uma intervenção menor do que um dente incluso, profundamente localizado no osso ou próximo de estruturas anatômicas importantes. Também influenciam a resposta inflamatória individual, a presença de infecção antes da cirurgia, as condições de saúde do paciente e o cumprimento das orientações pós-operatórias. Além disso, a duração do procedimento e a necessidade de manipulação dos tecidos podem interferir no desconforto após a cirurgia. Por isso, não é possível garantir que todos terão a mesma experiência”, ressalta o dentista.  

*Sob supervisão de Thiago Félix

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