O candidato Augusto Cury (Avante) deve adotar postura de neutralidade caso não avance ao segundo turno das eleições presidenciais. A avaliação é de integrantes da cúpula da campanha e do candidato a vice, Júlio Delgado, que confirmaram a tendência em conversas com o analista de política Pedro Venceslau.
“No entorno do Augusto Cury, todo mundo sabe que é muito, mas muito remota a possibilidade de ele chegar ao segundo turno“, afirmou Venceslau durante o CNN 360º desta quarta-feira (30). O próprio candidato, no entanto, tem mantido publicamente o discurso de que disputará a vaga até o fim.
Venceslau relatou ter questionado diretamente Júlio Delgado sobre o posicionamento de Cury na hipótese de não ir ao segundo turno.
“O que me disse o Júlio Delgado é que, nessa possibilidade, ele ouviu do próprio Augusto Cury que ele ficaria neutro. Não apoiaria nem Flávio, nem Lula“, disse o analista. O partido Avante também deve seguir a mesma linha, segundo relatado por Delgado a Venceslau.
Segundo o analista, a posição ocorre em meio à pressão de grupos bolsonaristas pela formação de uma frente ampla. Flávio Bolsonaro (PL) já demonstraria interesse no apoio de Cury.
“Ele gostaria que Cury participasse com ele de um ato de campanha para mostrar que ele está construindo uma frente ampla contra o petismo. Mais ou menos na linha do que Lula (PT) fez em 2022 contra Jair Bolsonaro, quando recebeu o apoio de Simone Tebet (PSB)”, relatou Venceslau.
Postura no debate presidencial
Júlio Delgado também foi consultado sobre a postura que será adotada por Cury no debate presidencial desta quinta-feira (1º). O candidato à vice negou que Cury participe como uma “linha auxiliar” de Flávio.
Segundo ele, a estratégia do candidato será dividir as críticas entre os dois adversários: questionar o que chamou de “oportunismo” de Lula com promessas eleitorais, mas, ao mesmo tempo, cobrar apurações nos casos Dark Horse e Master.
“Tudo indica que não vai ser tão tranquilo assim o debate para o senador Flávio Bolsonaro”, concluiu Venceslau.

