A jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, na terça-feira (29), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se “o embate entre o STF (Supremo Tribunal Federal) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a dias do primeiro turno vai impactar a eleição”.
A cinco dias do primeiro turno das eleições de 2026, um embate entre ministros do Supremo Tribunal Federal e a cúpula do Tribunal Superior Eleitoral acirra a tensão no Judiciário brasileiro.
A disputa gira em torno da competência do STF para rever decisões da Justiça Eleitoral, e ganhou contornos ainda mais agudos após decisões conflitantes envolvendo publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida e ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O episódio teve início quando o ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou a retirada de postagens que relacionavam o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou sua família à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Em seguida, o ministro Flávio Dino derrubou a medida, e o ministro Luiz Fux retomou a decisão anterior, evidenciando uma cadeia de reviravoltas que expôs publicamente a fissura entre as duas Cortes.
Desgaste institucional preocupa analistas
O comentarista José Eduardo Cardozo avaliou que a situação coloca o STF numa posição de “politização eleitoral que é muito ruim para o próprio Supremo”.
Para ele, alguma forma de “freio de arrumação” seria necessária para restaurar o equilíbrio institucional. “O desgaste do Supremo só fortalece discursos autoritários, só fortalece aqueles que têm discurso de negação da democracia”, afirmou.
Cardozo defendeu ainda que a melhor forma de recuperar o respeito às instituições seria uma “apuração criteriosa, rigorosa de tudo o que aconteceu”, sem distinções entre aliados e adversários. “Ninguém está acima da lei”, concluiu.
Reflexos nas urnas e no Senado
A jornalista Ana Amélia Lemos afirmou que o embate “já impactou” a eleição, especialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro, ao misturar religião e política. “A religião não é política e, lamentavelmente, isso entrou no jogo”, disse.
Ana Amélia também criticou a decisão de adiar para depois das eleições a resolução do conflito entre as Cortes, classificando-a como “lamentável”. Para ela, o STF está “cada vez mais desacreditado e desrespeitado” perante os cidadãos brasileiros.
A jornalista projetou ainda consequências políticas de médio prazo, sugerindo que as eleições de 2026 podem resultar na formação de uma maioria no Senado favorável a pedidos de impeachment de ministros do STF. “O Supremo certamente vai ter os primeiros exemplos de pedido de impeachment de uma maioria no Senado Federal”, afirmou.

