Uma pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (30) aponta empate técnico em eventual segundo turno da disputa pela Presidência da República. Segundo o levantamento, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 48,5% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) marca 48%. O resultado chama atenção pela trajetória ascendente do candidato do PL nas sondagens mais recentes.
Maurício Moura, fundador do Instituto Idea, explicou ao CNN Novo Dia o fenômeno que está por trás desse crescimento. Segundo ele, trata-se do chamado “antipetismo de chegada”, em que eleitores que até preferem outros candidatos acabam migrando para aquele que consideram ter maior chance de vencer o PT na reta final da campanha.
Fenômeno histórico se repete em 2026
Maurício Moura destacou que esse comportamento eleitoral não é inédito. “Esse fenômeno aconteceu em 14 com o Aécio Neves, em 18 e 22 com o Jair Bolsonaro. E eu estou vendo esse fenômeno se repetir”, afirmou.
Na avaliação dele, Flávio Bolsonaro está se beneficiando da percepção de que seria a alternativa mais viável para derrotar Lula na eleição.
Moura também ressaltou que o fenômeno já está ocorrendo antes do esperado: “O que está interessante agora em 2026 é que isso já está acontecendo”, disse, acrescentando que a tendência é de que Flávio ainda se beneficie mais desse movimento nos dias que antecedem o primeiro turno.
Eleição antecipa dinâmica do segundo turno
Para Moura, outro aspecto relevante revelado pelos números é que a eleição de 2026 parece estar antecipando o segundo turno já no primeiro. “Claramente os eleitores estão basicamente já antecipando a decisão que eles vão ter, a decisão binária potencial do segundo turno”, analisou. Ele citou que esse fenômeno também foi observado em eleições recentes na Colômbia.
No cenário simulado de segundo turno, os votos que migram para Flávio Bolsonaro vêm de eleitores que desaprovam o governo atual. Já Lula tende a absorver eleitores de outros candidatos que tenham maior simpatia pela atual gestão.
Aprovação do governo e divisão religiosa
A pesquisa também registrou uma melhora na aprovação do governo, que passou de 46,5% para 49%. Moura observou que a divisão do eleitorado por religião se mantém: a oposição lidera entre evangélicos, enquanto Lula tem maior aprovação entre católicos.
Segundo ele, medidas recentes como o reajuste do Bolsa Família e a proibição do Bets impactaram diretamente temas sensíveis ao eleitor, como custo de vida e renda. “Eu percebo que o governo teve essa melhora aí de 46 para 49”, disse Moura, ponderando, no entanto, que a desaprovação também está na casa dos 49%, refletindo um cenário de polarização.
Alto índice de indecisos e impacto dos debates
Um dado que chama atenção na pesquisa espontânea é o elevado percentual de indecisos: cerca de 18% dos eleitores não conseguem indicar o nome de um candidato à Presidência. Moura comparou esse número com 2022 e identificou um aumento de aproximadamente 10 pontos percentuais.
“O que significa que o grau de indecisão dos eleitores em 26 é maior do que em 22“, afirmou, atribuindo esse cenário, em parte, à ausência de propostas concretas ao longo da campanha e a uma sensação de “desesperança em relação à economia”.
Nesse contexto, o debate presidencial previsto para a próxima quinta-feira (1°) na TV Globo — com a confirmação de Flávio Bolsonaro e a ausência ainda não confirmada de Lula — pode ser um fator relevante para esse eleitorado indeciso. “O debate é sempre uma oportunidade dos candidatos colocarem proposta”, avaliou Moura.

