Em 1964, o psiquiatra canadense Ian Stevenson começou a investigar o caso de meninas gêmeas que, segundo seus pais, haviam nascido com as memórias e comportamentos de suas falecidas irmãs.
As irmãs Pollock acabaram se tornando um dos principais casos de crianças que nascem com recordações de uma suposta “vida passada”. Graças a Stevenson, especialista em psicologia paranormal, elas também viraram símbolo da crença na reencarnação.
O acidente de Joanna e Jacqueline Pollock
Era 5 de maio de 1957 e a família Pollock estava indo a pé para ver a missa da tarde na pequena cidade de Hexham, Inglaterra. Os pais, Florence e John, caminhavam atrás das filhas, que apertaram o passo para encontrar um amigo e garantir lugares melhores na igreja.
As crianças eram Joanna, de 11 anos, Jacqueline, de seis, e Anthony, cuja idade não foi divulgada.
Um carro desgovernado, conduzido por uma mulher descrita pelo Daily Mirror como uma mãe viúva de 51 anos, subiu na calçada e atropelou o trio. O casal Pollock, que estava alguns metros atrás das crianças, as encontrou já caídas na estrada.
As três crianças morreram. Segundo o relato de Ian Stevenson em seu livro, ‘Crianças que Lembram de Vidas Passadas: Uma Questão de Reencarnação’, o luto deixou Florence e John “anestesiados”.

Um ano depois da tragédia, a mãe de Joanna e Jacqueline engravidou e deu à luz duas meninas idênticas. Logo que soube que a esposa estava esperando gêmeas, John teria “dito com confiança que as duas irmãs mortas renasceriam como gêmeas”.
Quando Gillian e Jennifer nasceram, em 1958, o pai teve ainda mais motivos para acreditar que elas eram suas falecidas filhas. Ele e sua esposa notaram que Jennifer, a gêmea mais nova, apresentava duas manchas de nascença que correspondiam, em posição e tamanho, a duas cicatrizes no corpo de Jacqueline.
Entre os dois e quatro anos, as gêmeas fizeram algumas declarações sobre as vidas de suas falecidas irmãs. Elas também reconheciam objetos, como brinquedos, que pertenciam ou eram familiares às suas irmãs.
Os Pollocks diriam mais tarde que nunca haviam discutido as filhas mortas com as gêmeas, e elas não haviam visto estes objetos antes de reconhecê-los.
Ian Stevenson, psiquiatra
Os pais ainda relatam que as meninas reconheceram dois locais nos quais nunca tinham estado antes: uma escola e um parque que eram frequentados por Joanna e Jacqueline.
Elas também teriam demonstrado personalidades similares às das irmãs: Jennifer era muito apegada e submissa à irmã Gillian, da mesma forma que a caçula Jacqueline era dependente da mais velha Joanna. Jennifer também escrevia da mesma forma que Jacqueline, segurando o lápis em seu punho e não entre os dedos.
Em 1978, Stevenson levou as meninas para uma coleta de sangue. Os resultados mostraram que as duas compartilhavam o mesmo material genético, pois eram gêmeas monozigóticas.

Caso em aberto
A forte convicção de John Pollock sobre a reencarnação de Jacqueline e Joanna, na visão do psiquiatra, enfraquecia o caso. Confrontado com esse ponto de vista, o pai alegou que “sua abertura à ideia de reencarnação o permitiu notar e lembrar detalhes sobre suas filhas que outros pais no Ocidente teriam ignorado.”
O relato do profissional termina afirmando que Gillian e Jennifer cresceram e tiveram vidas normais. Ainda na infância, elas pareceram esquecer as memórias de “vidas passadas” e até se mostraram céticas sobre a hipótese. Elas não se descreviam como casos ou evidências de reencarnação, e não “negavam as evidências que os pais haviam observado”.

