Com a disputa presidencial entrando na reta final, o comportamento do eleitor brasileiro na véspera do primeiro turno das eleições segue marcado pela indecisão. Segundo a diretora de Opinião Pública da Ipsos, Márcia Cavallari, ao CNN 360°, os eleitores têm decidido cada vez mais tarde o seu voto, especialmente para o Senado, e tendem a aguardar o último debate para tomar uma posição definitiva.
Cavallari destacou que a campanha deste ano foi atípica, com pouca discussão de propostas e forte concentração em escândalos.
“Essa campanha foi uma campanha diferente, porque quase não se discutiu propostas para o país, não houve confronto de ideias”, afirmou a especialista, acrescentando que o cenário deixou o eleitor inseguro para a tomada de decisão.
Indecisão e abstenção como variáveis-chave
De acordo com Cavallari, pesquisas espontâneas indicam que cerca de 3 a cada 10 eleitores ainda não sabem em quem votar para presidente. “Isso é um contingente significativo que pode ter um impacto na reta final da eleição”, pontuou.
Além da indecisão, ela destacou a abstenção como outra variável relevante, que pode variar conforme a região do país e o perfil dos eleitores de cada candidato.
A especialista também comentou a possibilidade, ainda que de baixa probabilidade, de definição já no primeiro turno. Segundo ela, como a eleição presidencial está muito polarizada, qualquer movimentação dos eleitores dos candidatos menos bem posicionados nas pesquisas pode alterar o quadro.
“É possível, mas é uma probabilidade baixa”, avaliou.
Antipetismo, antibolsonarismo e voto útil
Questionada sobre o impacto do antipetismo e do antibolsonarismo no resultado final, Cavallari explicou que esses sentimentos podem levar ao chamado “voto útil”. “Gostaria de votar nesse, mas voto no outro porque eu não quero que o outro ganhe”, exemplificou.
Ela ressaltou que vários movimentos ainda podem ocorrer na reta final, incluindo a migração de eleitores de candidatos menores para os principais nomes da disputa.
Cavallari também lamentou a ausência de todos os principais candidatos no último debate.
“O eleitor fica esperando sempre o último debate, é o marco final da campanha, então é uma oportunidade que o eleitor perde das discussões das pautas do país”, disse.
Redes sociais ampliam vulnerabilidade a fake news
Ao ser questionada sobre a vulnerabilidade do eleitor à desinformação, Cavallari apontou um crescimento expressivo do uso das redes sociais como fonte de informação eleitoral.
Segundo dados da Ipsos, em 2022, 43% dos eleitores consideravam a televisão o principal veículo para se informar sobre as eleições, enquanto as redes sociais representavam apenas 17%. Neste ano, a televisão manteve os 43%, mas as redes sociais saltaram para 40%.
“Com 40% de redes sociais sendo a fonte de informação, é muito mais fácil ser suscetível às fake news ou informações que não correspondem aos fatos”, alertou.
Dificuldade de medir intenção de voto para o Senado
Cavallari também explicou por que é difícil para os institutos de pesquisa captarem a intenção de voto para senador. Segundo ela, o eleitor tende a deixar essa decisão para o último momento, em parte porque a ordem de votação na urna eletrônica é inversa à lógica de prioridade do eleitor.
“A gente vota primeiro para os deputados, depois senador um, senador dois. Então o eleitor acaba deixando sempre para o final”, detalhou. Ela acrescentou que, historicamente, o voto para senador acaba sendo puxado pelo candidato ao governo ou à presidência do mesmo partido.

