O coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), pediu uma reunião com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin. Até o momento, segundo Marinho, o pedido feito no final da semana passada não foi respondido, informou à reportagem.
A intenção dele é reforçar que, se eleito ao Planalto, Flávio pretende preservar o diálogo institucional com a Corte, sem ataques à instituição em si, embora faça duras críticas aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Flávio, por exemplo, afirma que o STF como Poder não deve ser atacado, mas sempre reforça a vontade de promover impeachment contra Moraes e Dino.
Foi com objetivo semelhante de afirmar que procura zelar por um bom relacionamento e respeito institucional que Marinho já fez movimentações para conversas com outros, como o decano do Supremo, Gilmar Mendes.
No entanto, decisões recentes de ministros do Supremo não devem passar batido se a audiência entre Marinho e Fachin realmente acontecer, diante da crise interna da Corte.
A campanha de Flávio Bolsonaro considera que algumas decisões beneficiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por exemplo, uma decisão de Dino que liberou postagem nas redes sociais sobre Nossa Senhora Aparecida com crítica indireta a Flávio, em meio à fake news envolvendo o candidato e a santa.
A equipe jurídica de Flávio recorreu a Luiz Fux, que sustou a decisão de Dino. Com isso, voltam a valer as determinações de André Mendonça, no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com as ressalvas que elas já continham.
A campanha também enxerga com preocupação as divergências que tomaram conta de Moraes e Mendonça, relator do caso Master no STF e indicado à Corte por Jair Bolsonaro (PL).
Nesta semana, aliados de Flávio ainda fizeram duras críticas à postura de Lula de ligar ao telefone para Flávio Dino no meio de uma agenda de governo por conta de um projeto proposto por ele em 2024, quando ainda era senador, que foi sancionado — o ministro inicialmente parece ter atendido a chamada, mas não chegou a conversar com o presidente, que disse estar ao vivo e diante de uma plateia, e a ligação supostamente caiu.
Para o grupo de Flávio, a iniciativa de segunda (28) demonstrou publicamente o quão próximo Dino segue do presidente da República, que o indicou à Suprema Corte.

