As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta terça-feira (29) pressionadas pela alta nos rendimentos dos Treasuries, que voltaram a renovar novas máximas em duas décadas, refletindo a crescente preocupação do mercado com a trajetória dos juros nos EUA diante das pressões inflacionárias.
O Dow Jones caiu 0,25%, em 51.350,99 pontos; o S&P 500 perdeu 0,16%, nos 7.671,18 pontos; e o Nasdaq teve baixa de 0,09%, encerrando em 26.797,54 pontos.
Para a Capital Economics, a resiliência de Wall Street diante da alta dos juros reflete um entusiasmo renovado com ações de tecnologia e a concentração do rali em poucas empresas de grande porte, mas há “sinais crescentes de que o boom do mercado acionário ligado à IA está em seus estágios finais”.
A Nvidia caiu 0,72%, em meio a relatos de que está fazendo lobby junto com a AMD contra restrições de exportações à China. A empresa também abriu conversas com seguradoras para tratar sobre os riscos de financiamento em IA (Inteligência Artificial), segundo o Financial Times.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, disse nesta terça-feira que a decisão de não lançar o próximo modelo de IA da empresa, o GPT-6.1 Astra, ocorreu por “excesso de cautela” e que a empresa ainda terá “muitos novos modelos excelentes”.
A Anthropic também alertou investidores de que sua tecnologia pode representar “riscos existenciais para a humanidade” em seu aguardado prospecto de IPO (Oferta Pública Inicial).
Já o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter sido “muito produtiva” a reunião com lideranças de empresas de IA e defendeu a autorregulação da tecnologia.
A Apple caiu 2,66% após o BofA Securities alertar para riscos competitivos e possível perda de receita com serviços diante do Muse, da Meta. A Meta, por sua vez, avançou 3,26%.
As ações de bancos, entretanto, lideraram as perdas. JPMorgan Chase e Morgan Stanley caíram 0,4% cada, enquanto o Bank of America recuou 0,88%. O ETF do setor financeiro (XLF) caiu 0,33%.
Declarações de dirigentes do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) reforçaram a cautela nos mercados.
O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que o banco central precisa ver evidências de que a inflação voltou a desacelerar e lembrou que a meta de 2% não é atingida há cinco anos.
Já John Williams, do Fed de Nova York, afirmou que seu cenário-base contempla mais uma alta de juros ainda neste ano, embora não veja urgência para um novo aperto.

