Durante uma coletiva de imprensa com repórteres ao lado de fora da Casa Branca nesta terça-feira (29), o presidente americano Donald Trump chamou o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, de “seu amigo” ao ser questionado do porquê os Estados Unidos permitiam que ambas as Coreias tivessem um arsenal nuclear.
O líder americano afirmou que a produção de bombas atômicas no país poderia ser impedida durante administrações passadas, e que agora já seria tarde.
“Nós tínhamos outros presidentes; eles poderiam ter parado isso.”, disse o presidente durante a coletiva.
Segundo Trump, ele seria uma das poucas pessoas com as quais o líder coreano tinha um bom relacionamento, afirmando que os dois mantinham uma amizade.
“Ele é meu amigo. Kim Jong-un. Ele gosta de Trump. Ele não gosta de muitas pessoas, mas ele gosta de mim. E eu gosto dele”, afirmou o líder.
Trump também disse que, enquanto estivesse no poder, os EUA não interviriam no governo do país asiático.
“Enquanto eu estiver aqui, ele vai ficar bem. Sabe por quê? Porque ele me respeita e ele gosta de mim”, afirmou o presidente americano.
Trump tem tentado uma aproximação de Kim Jong-un no seu segundo governo, após os dois enfrentarem tensões durante seu primeiro mandato.
A relação entre Donald Trump e Kim Jong-un
Durante o primeiro mandato do líder dos EUA, Kim Jong-un chamou Trump de “um velho americano mentalmente perturbado” e disse que ele tinha acesso a um “botão nuclear” em sua mesa. O relacionamento entre os líderes esfriou após encontros presenciais em 2018 e 2019, incluindo uma breve troca de palavras na zona desmilitarizada entre as Coreias, na qual Trump se tornou o primeiro presidente americano em exercício a pisar em território norte-coreano.
Em agosto deste ano, Trump chegou a marcar uma reunião com o líder da Coreia do Norte após “reduzir substancialmente” o número de exercícios militares em conjunto entre os EUA e a Coreia do Sul. Na ocasião, o presidente afirmou que “Kim Jong-un sempre me tratou com muito respeito e nos encontramos em diversas ocasiões, na verdade, em duas ocasiões principais, conversamos e passamos tempo juntos.”
Apesar da ordem de Trump, a Coreia do Norte condenou, ainda assim, os exercícios militares, afirmando que continuará exercendo seu direito à autodefesa para combater o que chamou de ameaças militares por parte dos dois países.
Mais recentemente, durante a Assembleia Geral da ONU, o vice-chanceler do país, Kim Son Gyong, acusou os EUA de conspirarem contra o país junto do Japão e da Coreia do Sul
Segundo ele, Washington, Seul e Tóquio estariam planejando uma guerra nuclear contra Pyongyang.
“A aliança militar EUA-Japão-Coreia do Sul, inequivocamente voltada contra a RPDC (República Popular Democrática da Coreia), está sendo transformada pelos Estados Unidos em um bloco militar mais ofensivo e agressivo, com um componente nuclear”, disse o vice-chanceler.
Kim Son Gyong também condenou os exercícios militares conjuntos, afirmando que eles estariam sendo usados como uma maneira de simular seus planos de guerra nuclear.
*Sob supervisão de Malu Baccarin

