O número de roubos a bancos no Brasil caiu 88% em quatro anos, segundo dados do Ministério da Justiça compilados com base em registros das polícias civis e militares dos estados e do Distrito Federal. A informação foi apurada pelo analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao CNN Novo Dia.
O levantamento, ao qual a CNN teve acesso, revela uma transformação significativa nesse tipo de crime no país. No primeiro semestre de 2022, foram registrados 159 assaltos a instituições financeiras.
Já no mesmo período de 2026, esse número caiu para apenas 19 ocorrências, evidenciando uma redução expressiva que chama a atenção de especialistas e autoridades de segurança pública.
Queda também no comparativo anual
De 2025 para 2026, houve uma nova queda relevante: foram 43 registros no primeiro semestre do ano passado contra 19 no mesmo período deste ano, representando uma diminuição de 55,81%. Os números reforçam uma tendência consistente de declínio nessa modalidade criminosa.
Elijonas Maia explicou que foram consultados integrantes do Ministério da Justiça, da Polícia Federal e das polícias civis para compreender as razões por trás dessa queda acentuada.
Segundo o analista de Segurança Pública, os fatores incluem tanto o reforço na segurança e na inteligência dos bancos — em parceria com instituições financeiras públicas e privadas — quanto uma mudança estratégica por parte do crime organizado.
Crime organizado migra para o ambiente digital
De acordo com Elijonas Maia, o chamado “novo cangaço” — estratégia utilizada principalmente pelo PCC em estados como São Paulo e Paraná, que consistia em dominar cidades inteiras para atacar agências bancárias — perdeu força. “Os líderes das facções criminosas e todos os grupos mudaram para assalto a instituições financeiras de forma online”, afirmou o analista.
Essa migração para o crime digital é apontada como um dos principais fatores por trás da redução dos ataques físicos a bancos. O analista destacou ainda o impacto visual dessa mudança: as cenas de terror urbano, com perseguições, tiroteios e cidades tomadas por grupos armados, que marcaram períodos anteriores, deixaram de ocorrer com a mesma frequência.
Para ele, a queda de 88% é um dado relevante, mas deve ser observado com atenção, já que a redução em um tipo de crime pode vir acompanhada do aumento em outras modalidades, especialmente as digitais.

