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Risco no mercado de energia impulsiona derivativos e garantias na BBCE

Radar Olhar Aguçado(há 31 minutos)

Incertezas sobre o clima, revisões nas projeções de consumo e cortes de geração se somam à crise de confiança entre empresas e ampliam a busca por proteção no mercado de energia. Diante da volatilidade dos preços e da preocupação com o cumprimento dos contratos, companhias têm recorrido cada vez mais a derivativos e garantias financeiras para reduzir sua exposição, segundo a diretora-presidente da BBCE, Camila Batich.

Um indicador desse movimento é o avanço dos derivativos de energia na BBCE, plataforma de negociação do setor. A empresa encerrou agosto com R$ 10 bilhões em estoque desses instrumentos, alta de 230% em relação ao mesmo período de 2025. O indicador corresponde ao valor dos contratos vigentes na plataforma, e não apenas aos negócios fechados naquele mês.

Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, a diretora-presidente da BBCE, Camila Batich, afirmou que a mudança de comportamento acompanha um ambiente de maior preocupação com a segurança das transações.

“A gente enfrentou uma crise de confiança que fez com que as empresas fizessem mais gestão de risco”, disse.

A sequência de recuperações judiciais e extrajudiciais de comercializadoras expôs a dimensão do problema. Levantamento da CNN identificou ao menos R$ 8,6 bilhões em dívidas de empresas atingidas pela crise, com estimativas de agentes do setor de que o passivo total possa superar R$ 10 bilhões. Os efeitos se espalham pela cadeia de contratos do mercado livre e alcançam também o mercado regulado, no qual os consumidores são atendidos pelas distribuidoras.

À desconfiança sobre a capacidade de pagamento das empresas se somam a menor liquidez nas negociações, os cortes de geração de usinas renováveis e as incertezas sobre a formação dos preços. Na avaliação de Batich, fatores climáticos, como o El Niño, também vêm alterando as expectativas e provocando movimentos nas cotações.

Proteção para preços e pagamentos

Nesse cenário, instrumentos utilizados no mercado financeiro ganham espaço nas estratégias das empresas de energia. Derivativos e colateral, porém, respondem a preocupações diferentes.

Os derivativos são contratos financeiros vinculados ao preço da energia e podem ser usados para compensar os efeitos de oscilações desfavoráveis sobre uma operação. Nas modalidades negociadas pela BBCE, a liquidação é financeira, sem entrega física de eletricidade. A proteção depende das condições e do risco coberto pelo contrato.

Já o colateral é uma garantia, que pode envolver dinheiro ou ativos vinculados às operações. Sua função é reduzir possíveis perdas caso uma das partes deixe de cumprir suas obrigações. O foco, nesse caso, está no risco de crédito, e não apenas na variação dos preços.

O crescimento dos derivativos também reflete a necessidade de lidar com riscos específicos do setor elétrico. Segundo a BBCE, a maior parte das operações registradas no balcão é formada por contratos não padronizados, ou seja, ajustados às necessidades das partes, para proteção contra diferenças de preços entre regiões e riscos associados à geração eólica e solar, incluindo os cortes de produção determinados pelo operador do sistema.

El Niño e revisões de carga mexem com preços

As incertezas climáticas são outra fonte de movimentação no mercado. Segundo Batich, erros nas previsões se refletem nos preços negociados na plataforma, com atenção especial aos contratos para 2027.

“Temos visto uma tendência de diferentes preços, principalmente para 2027”, afirmou.

A executiva ressalta que o comportamento das cotações não tem uma causa única. Os modelos de formação de preços e a crise de confiança também contribuem para a volatilidade. Mas, em sua avaliação, “o El Niño mudou a lógica de como se faziam as previsões”.

Batich aponta ainda as revisões de carga no PMO (Programa Mensal de Operação), do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) como outro fator que provoca mudanças nos preços exibidos nas telas de negociação.

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