A Six Flags, empresa responsável por diversos parques de diversões dos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira (29) que desativará permanentemente sua montanha-russa mais famosa, cerca de um mês após uma investigação da CNN revelar um longo histórico de lesões graves — com consequências para toda a vida — e mortes associadas à atração.
O presidente do Six Flags Magic Mountain, Brian Oerding, escreveu em uma publicação no blog da empresa nesta terça que, embora a montanha-russa X2 tenha “sido aprovada consistentemente em uma infinidade de testes de segurança, decidimos encerrar as operações da atração porque acreditamos ser a decisão correta”.
Ele acrescentou: “A segurança das atrações é um pilar fundamental do nosso negócio e, quando percebemos que a confiança dos visitantes é afetada, levamos isso muito a sério”.
As alegações de que a montanha-russa causou ferimentos em passageiros remontam a mais de uma década, mas permaneceram em grande parte desconhecidas do público até a investigação da CNN no mês passado, que documentou mais de uma dúzia de relatos de lesões graves e hospitalizações associadas à atração, incluindo pelo menos duas mortes.
Mais recentemente, duas mulheres deram entrada no mesmo pronto-socorro de Santa Clarita com lesões cerebrais após andarem na X2, com um intervalo de apenas seis dias entre os casos, em julho.

A atração havia sido fechada temporariamente um dia após o incidente com a segunda mulher.
E, na semana passada, advogados realizaram uma coletiva de imprensa de grande repercussão, informando que mais de 100 novas pessoas se apresentaram, alegando ter sofrido lesões cerebrais de gravidade variada relacionadas à montanha-russa, ocorridas apenas nos últimos dois anos.
A X2, principal atração do Six Flags Magic Mountain, no sul da Califórnia, por quase duas décadas, sempre atraiu entusiastas de montanhas-russas de todo o mundo devido à sua característica de “quarta dimensão”: os assentos giram 360 graus em torno do trilho enquanto os trens atingem velocidades de quase 128 km/h durante um percurso de aproximadamente dois minutos.
Em três ações judiciais protocoladas na semana passada, três passageiros diferentes que sofreram lesões com risco de morte neste ano — incluindo Naomi Greer-Wilkinson, de 26 anos, que permanece em coma — alegam que os responsáveis pelo Six Flags tinham amplo conhecimento dos supostos perigos da atração e jamais deveriam ter permitido que ela continuasse em funcionamento.
Greer-Wilkinson embarcou na atração seis dias depois que outra mulher, Pamela Guillen, perdeu a consciência ao descer da montanha-russa e precisou ser submetida a uma cirurgia cerebral de emergência.
“Isso já deveria ter acontecido há muito tempo”, disseram os pais de Greer-Wilkinson à CNN. “O Six Flags sabia, anos atrás, que a X2 estava expondo pessoas a graves riscos e, mesmo assim, optou por continuar arriscando a vida delas. Isso deveria ter ocorrido muito antes da lesão cerebral de Naomi, mas ficamos felizes em saber que, finalmente, a filha ou irmã de mais ninguém sofrerá ferimentos nessa atração.”

Guillen, por sua vez, já recebeu alta hospitalar, mas relatou anteriormente à CNN como teve de reaprender a falar e a caminhar; ela afirmou que ainda sofre com dores de cabeça terríveis e confusão mental, além de precisar de medicação para prevenir convulsões.
“Sinto-me aliviada por a X2 estar sendo fechada definitivamente”, disse ela à CNN nesta terça-feira. “Eu nunca deveria ter me ferido, assim como as outras pessoas que sofreram lesões… Também espero que o Six Flags implemente melhores medidas de segurança e inspeção em todos os seus parques e atrações.”
A família de Christopher Hawley, de 22 anos — que morreu em decorrência de um traumatismo cranioencefálico horas depois de andar na X2, quatro anos atrás —, luta há anos pelo fechamento da atração.
O neurocirurgião que tratou Hawley comparou os ferimentos dele aos da “síndrome do bebê sacudido”, e o médico legista concluiu que a morte foi causada por um traumatismo craniano contuso decorrente de “um acidente em atração de parque”, segundo o relatório oficial.
A família processou o Six Flags e chegou a um acordo preliminar no mês passado. Timothy Loranger, um dos advogados que representam a família Hawley, disse à CNN que também assumiu recentemente a defesa de novos clientes que alegam ter sofrido danos causados pela montanha-russa, incluindo a família de um jovem que, segundo os advogados, morreu após andar na X2 no final de 2025 — o mais recente caso entre pelo menos três mortes supostamente ligadas à atração.
“Essa atração deveria ter sido fechada muito antes de nosso filho Christopher se ferir e, certamente, deveria ter sido fechada depois que ele morreu”, disse a mãe de Hawley, Anne Hawley. Em vez disso, foram necessários mais de quatro anos e dezenas de outros passageiros feridos para que o Six Flags fizesse a coisa certa.

