O Ministério da Saúde protocolou na Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia) um pedido de urgência para avaliar a inclusão de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida no SUS (Sistema Único de Saúde). A informação foi divulgada pela pasta, na última segunda-feira (28), e também prevê, com a incorporação, um desconto de até 90% no preço da aquisição do medicamento.
A medida acontece logo após a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de incorporar os remédios à base de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, no Sistema Único de Saúde. Segundo a pasta, cerca de R$ 1,5 bilhão por ano deverão ser projetados no orçamento desse projeto.
Apesar do alto valor, com a possibilidade de realizar compras em grande escala e aumentar a produção nacional, o Ministério estima que os preços possam cair entre 80% a 90% na aquisição dos medicamentos futuros pelo governo e, consequentemente, também ficarão mais baratos no mercado particular.
Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço. Estamos projetando que, a um custo de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS
Alexandre Padilha, ministro da Saúde
Medida auxiliará pacientes com excesso de peso e diabéticos
A proposta considera o uso dos medicamentos como parte do tratamento da obesidade e diabéticos, e não para fins estéticos.
“Quando a gente fala em incorporar ao SUS, não estamos falando de incorporar um milagre estético. Estamos falando de incorporar uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação e atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive nos custos do sistema de saúde. Vai reduzir o volume de cirurgias bariátricas, de internações por doenças cardiovasculares e de internações por recidiva de câncer, por exemplo”, ressalta o ministro.
Atualmente, segundo a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) existem mais de 13 milhões de pessoas vivendo com diabete, o que representa 6,9% da população nacional. Por outro lado, a quantidade de adultos brasileiros com obesidade aumentou em 118%. Ambas as doenças podem levar a futuras complicações, bem como ao óbito.
O processo, no entanto, ainda está em análise na Conitec. Caso seja aprovado, o SUS deverá estabelecer critérios para definir quais pacientes poderão receber os medicamentos.
Aumento do uso das canetas emagrecedoras
Segundo dados da Anvisa (Agência Nacional de Saúde), o número de pessoas que usam canetas emagrecedoras passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil por mês.
Para estimular a entrada de novos fabricantes e auxiliar na queda dos preços, 16 novos produtos foram registrados em 2026, incluindo medicamentos genéricos.
Prós e contras das canetas emagrecedoras
Um estudo publicado no Journal of the American Heart Association aponta que os emagrecedores podem reduzir a mortalidade de pacientes com diabetes tipo 2 e com doença arterial periférica.
A análise, que acompanhou mais de 26 mil pacientes, demonstra que os medicamentos da classe GLP-1RA (como semaglutida e tirzepatida) não apenas ajudam na perda de peso, mas reduzem drasticamente riscos de morte e complicações vasculares graves.
Um outro estudo publicado na revista Annals of Oncology associou as canetas a uma redução no desenvolvimento de cânceres relacionados à obesidade em adultos, como os que envolvem tumores pancreáticos, endometriais, colorretais e de tireoide. Também foram identificadas reduções para mieloma múltiplo e câncer de mama.
Apesar das medidas favoráveis, medicamentos também podem ocasionar em efeitos colaterais. Nas redes sociais, internautas costumam relatar queda de cabelo, envelhecimento de pele, falta de energia e mau hálito.
Anvisa investiga efeitos colaterais
Por outro lado, a medida de aumentar o acesso no SUS ocorre em paralelo a uma investigação da Anvisa sobre a perda de visão ocasionada pelo uso das canetas.
Ao todo, foram notificados cerca de 13 suspeitas de NOIA neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica) em pacientes que utilizavam medicamentos à base de GLP-1.
A condição é rara e pode provocar cegueira. Dos 13 casos notificados, 12 envolvem medicamentos à base de semaglutida e um está relacionado à tirzepatida.
Outros fatores podem ocasionar no diagnóstico de NOIA, por este motivo, o órgão ressaltou que ainda está analisando os casos e que não associa de forma definitiva o uso das canetas com a doença.
Médica explica perigos do uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento

