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Do tabuleiro encontrado na pandemia ao recorde mundial: como uma menina de 11 anos fez história no xadrez

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Do tabuleiro encontrado na pandemia ao recorde mundial: como uma menina de 11 anos fez história no xadrez

Um tabuleiro de xadrez que chegou à sua casa durante a pandemia ajudou a despertar uma paixão que, poucos anos depois, levou Bodhana Sivanandan,11, a entrar para a história da modalidade. A enxadrista inglesa completou os requisitos para o título de Grande Mestre Feminina durante a Olimpíada de Xadrez de 2026, em Samarcanda, no Uzbequistão.

A conquista foi confirmada pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE), entidade responsável por regulamentar e organizar competições internacionais da modalidade. Bodhana alcançou a terceira e última norma, nome dado a um desempenho de alto nível exigido em determinados torneios para a obtenção de um título internacional. Com isso, tornou-se a jogadora mais jovem a cumprir os requisitos para o título feminino.

 O que é o título de Grande Mestre Feminina?

No xadrez, os títulos internacionais são concedidos pela FIDE a jogadores que atingem determinados critérios de desempenho e classificação. Entre eles está o de Grande Mestre Feminina (WGM, na sigla em inglês para Woman Grandmaster), uma das principais graduações destinadas às enxadristas.

Para chegar ao título, Bodhana precisava completar três normas de WGM. Ela já havia conquistado as anteriores em torneios disputados antes da Olimpíada e chegou à competição em Samarcanda precisando apenas da última.

A jovem também já havia ultrapassado a pontuação de 2.300 no rating, sistema utilizado no xadrez para medir o desempenho relativo dos jogadores. Em abril, a FIDE registrava Bodhana com 2.366 pontos, quando ela já aparecia entre as 100 melhores enxadristas do mundo na lista feminina.

Durante a Olimpíada, disputada em setembro, ela completou a terceira norma e garantiu a marca histórica aos 11 anos. A lista de títulos da competição ainda estava sujeita à confirmação formal da FIDE, mas o requisito esportivo para o WGM já havia sido alcançado.

Como uma menina de 11 anos chegou tão longe?

A relação de Bodhana com o xadrez começou durante a pandemia de Covid-19, quando ela ainda era pequena. O jogo chegou à família de maneira casual e despertou o interesse da menina, que passou a aprender as regras e, posteriormente, a estudar a modalidade com cada vez mais dedicação.

O desenvolvimento foi rápido. Antes mesmo do novo recorde, Bodhana já havia acumulado resultados expressivos em torneios internacionais. Em julho de 2026, aos 11 anos e quatro meses, ela se tornou a jogadora mais jovem a conquistar uma norma de Mestre Internacional, segundo a Comissão de Xadrez Feminino da FIDE. A marca superou um recorde que havia sido estabelecido décadas antes por Judit Polgár, uma das principais enxadristas da história.

Na mesma competição, realizada na França, Bodhana derrotou o Grande Mestre francês Marc’Andria Maurizzi, que tinha rating de 2.628 pontos. O resultado foi um dos destaques da campanha da jovem.

Recordes começaram antes da marca mundial

A conquista na Olimpíada não foi o primeiro recorde de Bodhana em 2026. Em agosto, ela se tornou a mais jovem campeã britânica de xadrez feminino da história, aos 11 anos.

A vitória veio após um desempate contra a irlandesa Trisha Kanyamarala no Campeonato Britânico de Xadrez. Com o resultado, Bodhana superou marcas que pertenciam a enxadristas que haviam conquistado o título ainda na adolescência.

A sequência de resultados ajuda a explicar por que a jovem já vinha sendo acompanhada de perto no cenário internacional. Antes de completar 12 anos, ela passou a acumular títulos nacionais, normas internacionais e vitórias contra adversários muito mais experientes.

Agora, ao cumprir os requisitos para o título de Grande Mestre Feminina, Bodhana soma mais um recorde à trajetória iniciada ainda na infância. O feito chama atenção também pela idade, já que ela alcançou esse patamar aos 11 anos, poucos anos depois de aprender a jogar xadrez.

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