A Estação Primeira de Mangueira anunciou, nesta terça-feira (29), que Maria Bethânia, Alcione, Leci Brandão e Daniela Mercury gravaram a faixa oficial do samba-enredo da agremiação para o Carnaval de 2027. A verde e rosa levará para a Sapucaí o enredo “Oyá Por Nós”, sobre Iansã, com assinatura do carnavalesco Sidney França e dos enredistas e pesquisadores Stephanye Paz e Felipe Tinoco.
Em publicação feita no Instagram, a presidente da agremiação Guanayra Firmino ressaltou a força da ancestralidade na construção do Carnaval da Mangueira e destacou o momento como um “encontro de gigantes”.
“Estar nesse encontro de mulheres tão gigantes, de tantas histórias, vozes e ancestralidades, me fez lembrar da força que existe quando a nossa cultura, a nossa fé e o nosso samba se encontram”, escreveu Guanayra. “É uma honra viver esse momento e poder colocar um pouco da minha fé e da minha ancestralidade nessa história que é tão maior do que nós.”
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As quatro se juntam a Dowglas Diniz, intérprete oficial da Mangueira desde 2023, que classificou a gravação como um dos momentos mais emocionantes de sua carreira.
“O Dowglas criança, que sonhava em estar entre as grandes vozes da nossa música, hoje se dá conta de que está ao lado dessas grandes mulheres, que tanto me ensinaram sobre a potência da nossa música e que ajudaram a construir, no meu imaginário, a grandeza da nossa escola”, descreveu o cantor. “Tudo o que envolve o nosso Carnaval é mágico e tem as mãos de Oyá! Vocês não imaginam o quanto está lindo o nosso samba, minha gente! Estou profundamente emocionado e com o coração transbordando de gratidão!”
O samba da Mangueira é um dos mais aclamados e foi composto por Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Guilherme Sá, Paulinho Bandolim e Orlando Ambrósio.
A Mangueira será a última escola a desfilar na terça-feira de Carnaval (9 de fevereiro) e, após conquistar o sexto lugar em 2026, vai em busca do seu 21º título do Carnaval carioca.
Ligação de longa data com a escola
Tirando Daniela Mercury, que se aproximou da Mangueira neste ano ao defender o samba-enredo campeão na disputa da escola, as outras três possuem ligação histórica com a verde e rosa.
Maria Bethânia é mangueirense longa data, tendo sido homenageada pela primeira vez em 1994, quando a escola apresentou o enredo sobre os Doces Bárbaros, grupo formado por ela, Caetano veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. “Atrás da Verde e Rosa Só não Vai Quem Já Morreu” conquistou apenas um 11º lugar, mas rendeu à Mangueira um de seus sambas mais antológicos.
Em 2016, ela foi enredo sozinha. “Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá”, de Leandro Vieira, contou a história de Bethânia pelo viés religioso e fez a Mangueira despontar para o campeonato após 14 anos de jejum.
Alcione, por sua vez, se apaixonou pela Mangueira ainda na infância, quando via fotos das baianas da agremiação vestidas de verde e rosa. Logo após chegar ao Rio, ela se aproximou da escola e segue por lá até hoje. Foi a maranhense que ajudou a fundar, por exemplo, a Mangueira do Amanhã, escola de samba mirim que funciona como projeto social na comunidade e revela inúmeros talentos para a escola.
Ela também foi enredo da Mangueira em 2024. “A Negra Voz do Amanhã”, de Annik Salmon e Guilherme Estevão, conquistou apenas o sétimo lugar.
Leci Brandão não fica atrás. A cantora frequentava o Morro da Mangueira desde jovem e se tornou a primeira mulher a integrar a ala de compositores da escola, na década de 1970. Seu nome foi exaltado no samba-enredo que rendeu o título de 2019, “História para Ninar Gente Grande”, como uma das principais figuras da história da Mangueira.
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