A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta uma preocupação central para o segundo turno: como sustentar, por mais quatro semanas, o mesmo nível de mobilização política que impulsionou a candidatura ao longo do primeiro turno. A apuração é da âncora da CNN Tainá Falcão.
O receio, segundo fontes ligadas ao candidato, vai além da simples abstenção de eleitores — ele envolve a capacidade de manter toda a engrenagem política da campanha funcionando com força.
O temor está diretamente relacionado à dinâmica eleitoral que se transforma após o primeiro turno.
Candidatos a deputados, senadores e governadores que hoje mobilizam cabos eleitorais, distribuem recursos do fundo partidário e ajudam a puxar a campanha presidencial deixarão de disputar suas próprias vagas. Com isso, parte significativa dessa estrutura tende a ser desmontada.
O risco do “amortecimento” após o primeiro turno
No entorno de Flávio Bolsonaro, há a preocupação com o que chamam de “amortecimento” da campanha. Deputados e senadores que já estiverem eleitos ou derrotados pelas urnas estarão fora de suas disputas locais e, portanto, tendem a estar menos motivados a atrair votos para o candidato à presidência.
“O receio está justamente nisso, de haver mais dificuldade para manter essas pessoas engajadas localmente com a mesma força da disputa no primeiro turno”, destacou Tainá.
Além disso, no segundo turno não existem mais as campanhas proporcionais que movimentam recursos e estruturas nos estados e municípios.
A propaganda eleitoral também passa por uma mudança: o tempo de televisão é dividido igualitariamente entre os dois candidatos que avançaram, o que minimiza a importância do apoio do Centrão em termos de recursos e tempo de TV.
Retrospecto positivo de 2022 serve como contraponto
Apesar das preocupações, há um retrospecto favorável que é mencionado pela campanha. Em 2022, não houve desmobilização do eleitorado de Jair Bolsonaro entre os turnos — pelo contrário.
Os dados indicam que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou de pouco mais de 51 milhões de votos no primeiro turno para 58 milhões no segundo, um ganho de mais de 7 milhões de votos.
No entanto, analistas apontam que Jair já havia saído do primeiro turno com uma engrenagem mais robusta, apoiado por outros partidos que continuaram com ele no segundo turno — situação distinta da de Flávio Bolsonaro, que teria saído do primeiro turno sem esse mesmo suporte.
Para compensar a possível redução de estrutura, a campanha de Flávio Bolsonaro está em ofensiva para atrair o voto de eleitores de candidatos eliminados, além de buscar apoios políticos de mobilização nos estados.
A estratégia inclui a chamada campanha do voto útil e tentativas de demover alguns candidatos de suas próprias candidaturas, buscando aproveitar a mobilização remanescente nas localidades.

