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Vida global, carteira local: o paradoxo do investidor brasileiro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

Em um mundo globalizado, o acesso ao exterior não acontece mais de maneira pontual. Desde a rotina básica de consumo diário até movimentos internacionais, o consumo do brasileiro é, em parte, dolarizado. Segundo estudos da FGV, realizados em 2024, entre 16% e 18% do consumo do brasileiro está sujeito ao câmbio, mostrando que essa relação com o exterior deixou de ser pontual e faz parte do estilo de vida.

Quando o assunto é investimento, porém, as fronteiras são visíveis. O Brasil está entre os países em que investidores apresentam elevado home bias, expressão usada para definir a preferência por manter a concentração dos investimentos no próprio mercado. Levantamentos do mesmo estudo apontam que a parcela de investimentos internacionais declarada no Imposto de Renda em 2024 foi de 2,2% do patrimônio, demonstrando a tendência do investidor brasileiro de manter seus recursos em ativos domésticos.

O CDI como motivador para a baixa diversificação

Um dos fatores que mais influenciam a permanência do investidor brasileiro em ativos domésticos é a taxa básica de juros historicamente elevada no país. Se analisarmos a janela dos últimos 20 anos, por exemplo, a rentabilidade acumulada do CDI corresponde a uma média anual composta de 10,25%. A depender do ano analisado, o CDI pagou taxas ainda mais elevadas, caso, inclusive, de 2026, que até setembro mantém um ritmo de aproximadamente 12,5% de rentabilidade no ano.

Com retornos próximos de 1% ao mês em ativos de renda fixa, a preferência pelo mercado doméstico parece natural. No entanto, uma perspectiva global mostra que, embora ativos de renda fixa americanos com nível de risco de crédito semelhante ofereçam taxas nominais mais baixas, a valorização do dólar frente ao real ao longo do tempo pode contribuir para retornos finais superiores para o investidor brasileiro.

Além disso, quando comparado a outros mercados do mundo, o mercado brasileiro ainda apresenta níveis intermediários de rating e oferece riscos e menor oportunidade de exposição a setores e empresas relevantes do mercado global.

Diferentes mercados para diferentes cenários

O que vale observar é que, ao investir parte do patrimônio internacionalmente, o investidor passa a ter exposição a outras economias, moedas, setores e classes de ativos. Ou seja, a carteira deixa de depender exclusivamente das condições econômicas, fiscais e financeiras de um único país, reduzindo o risco sistêmico de uma única economia. Soma-se a isso a vida globalizada do investidor, que reforça a necessidade de uma estratégia de proteção da carteira.

Além da estratégia de proteção, a diversificação internacional também permite o acesso a oportunidades que não estão disponíveis, ou têm presença mais limitada, no mercado brasileiro, como, por exemplo, estruturas de produtos, setores, empresas e tendências, com um universo significativamente maior de ativos e estratégias.

“Investir internacionalmente vai além da proteção. É uma forma de acessar oportunidades que não existem no mercado local e participar das transformações que estão moldando o futuro da economia global. A diversificação internacional protege o patrimônio, mas, acima de tudo, amplia possibilidades”, afirma Martin Iglesias, Especialista Líder em Recomendação do Itaú.

Isso não significa substituir os investimentos feitos no Brasil, mas combinar opções locais e internacionais de acordo com o perfil, os objetivos e o horizonte de tempo de cada investidor, alocando investimentos que reagem de diferentes formas aos variados acontecimentos econômicos globais.

No Itaú Personnalité, o investimento internacional é tratado como um componente de uma carteira verdadeiramente diversificada. A instituição oferece soluções de investimento no Brasil e no exterior, aliadas a estratégias de alocação que consideram diferentes perfis e momentos de vida. Um time de especialistas em investimentos on e offshore apoia o acesso a mercados globais, a diversificação de potenciais fontes de retorno, a redução da dependência de uma única economia e a dolarização do patrimônio. A proposta é facilitar a inclusão da diversificação internacional no portfólio de quem já vive de forma cada vez mais global.

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