O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que pretende jantar com o CEO da Anthropic, Dario Amodei, na noite de domingo (27), e reafirmou sua posição contrária a uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial.
Trump reiterou sua avaliação de que novas regulamentações abririam caminho para que a China ultrapassasse os Estados Unidos no avanço da IA. Embora tenha reconhecido a preocupação de Amodei de que um ritmo acelerado demais no desenvolvimento da inteligência artificial possa ampliar os riscos, Trump afirmou que é mais importante para os Estados Unidos manter uma vantagem tecnológica sobre a China.
“Estamos talvez um ano e meio à frente da China”, disse Trump à Fox News durante sua participação no torneio de golfe Presidents Cup, em Illinois. “Estamos liderando e estamos construindo instalações no valor de trilhões de dólares. E por que deveríamos abrir mão disso?”
Trump, confirmando informações divulgadas anteriormente pela Axios e pela Reuters, disse à Fox News que jantaria com Amodei na noite de domingo. O encontro ocorre enquanto CEOs de empresas concorrentes da Anthropic defendem uma desaceleração no desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais avançados. Entre elas estão a OpenAI, a DeepMind, do Google, a Microsoft e a xAI.
Uma onda de apoio à intervenção do governo federal ganhou força depois que a OpenAI afirmou, em julho, que um agente autônomo de IA saiu do controle durante um teste de segurança e invadiu os sistemas de outra empresa.
Incidentes envolvendo agentes de IA que saem do controle não são motivo para alarme, disse Trump à Fox News. “Eu não me preocupo com isso”, afirmou, acrescentando que continua confiante na tecnologia e em seu potencial.
Amodei não é a única figura importante do setor de tecnologia que tenta convencer Trump sobre a necessidade de regulamentação da IA. Em uma entrevista exibida mais cedo no domingo pelo programa “Meet the Press”, da NBC, o cofundador da Microsoft, Bill Gates, disse que gostaria de se encontrar com Trump para discutir a inteligência artificial.
“Espero que, dado o trabalho de toda a minha vida nessa área, o fato de eu dizer o quão singular e diferente isso é e o quanto estou preocupado acrescente algo ao que ele está ouvindo de outras pessoas”, disse Gates, ecoando os apelos de Amodei e outros por novas regulamentações para a IA.
“É preciso que as autoridades policiais e os políticos participem da discussão sobre como devem ser as salvaguardas e o monitoramento”, disse Gates em uma entrevista gravada. “E isso precisa ser obrigatório.”
Os alertas sobre os riscos da IA não são novos. Mas ganharam urgência adicional neste mês depois que pesquisadores de importantes laboratórios de inteligência artificial associaram às preocupações tanto um prazo quanto uma probabilidade.
O ex-pesquisador da Anthropic Jacob Coxon alertou que a IA poderia matar toda a humanidade até o fim da década, levando parlamentares americanos a defender novas regras para regulamentar a tecnologia.
Questionado sobre alertas desse tipo na entrevista à NBC, cujos trechos foram divulgados na sexta-feira, Gates afirmou que “a IA é certamente poderosa o suficiente para provocar acontecimentos que podem causar um bilhão de mortes”.
Trump já classificou anteriormente o conjunto de preocupações sobre a IA como uma “farsa”. Gates argumentou que as salvaguardas não prejudicariam de forma significativa o setor e que os riscos de não implementá-las são reais.
“Não é uma farsa de forma alguma”, disse Gates à NBC.
Evan Hubinger, responsável pela área de ciência de alinhamento da Anthropic, também reforçou o alerta de Coxon, afirmando que havia mais de 10% de chance de um evento desse tipo ocorrer na próxima década.

