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Setor de pneus pede alta de tarifas após salto de 58% nas importações

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Setor de pneus pede alta de tarifas após salto de 58% nas importações

O mercado brasileiro de pneus registou uma mudança estrutural significativa nos primeiros oito meses de 2026. Entre janeiro e agosto, as importações do produto cresceram 58,3% no país, saltando de 21,6 milhões para 34,2 milhões de unidades em comparação com o mesmo período de 2025.

Em contrapartida, as vendas da indústria instalada no Brasil voltadas para o mercado de reposição recuaram 13,3%, somando 14,6 milhões de unidades.

Os dados, apurados pela Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), indicam que os pneus importados passaram a dominar 70% das vendas do segmento de reposição no país, deixando os fabricantes nacionais com uma fatia de 30%. O cenário reflete uma inversão em relação ao cenário de 2019, quando a produção doméstica detinha 66% desse mercado e os itens vindos do exterior representavam 34%.

Avanço dos segmentos

A retração das marcas nacionais e o crescimento dos importados registaram variações consoante a categoria do veículo:

  • Pneus de carga: foi o segmento com maior expansão das importações, que cresceram 116,2% até agosto. As vendas de fabricantes nacionais para reposição caíram 9,8% (2,75 milhões de unidades). Atualmente, os importados detêm 72% do mercado de reposição de carga, ante 28% da produção nacional.
  • Pneus de passeio e comerciais leves: principal mercado do setor, registou um aumento de 47,8% nas importações (atingindo 27 milhões de unidades), enquanto as vendas da indústria local para reposição caíram 14,1% (11,9 milhões de unidades). Com isso, os importados capturaram 69% da fatia do mercado de reposição desta categoria.
  • Pneus de motocicletas: embora a indústria nacional ainda mantenha a liderança no segmento, a participação dos importados no mercado de reposição subiu de 27% em 2025 para 33% em 2026 (2,8 milhões de unidades importadas), contra 67% de representatividade dos fabricantes locais (5,8 milhões de unidades vendidas).

Presença chinesa e ajuste de dados

A China mantém o papel principal no volume de produtos enviados ao Brasil. Entre janeiro e agosto de 2026, o país foi origem de 81% das importações brasileiras de pneus de passeio (21,8 milhões de unidades, alta de 49% ante 2025) e de 2,64 milhões de pneus de carga (crescimento de 78%).

A análise dos dados do setor exigiu uma correção metodológica em julho por parte da Anip. Uma inconsistência no sistema ComexStat chegou a registar a entrada de mais de 650 milhões de pneus de carga vindos da China num único mês, volume incompatível com a capacidade produtiva, logística e comercial do mercado. Com base no peso líquido das cargas, a associação recalculou o volume efetivo daquele mês em cerca de 706,5 mil unidades.

Reflexos na indústria e propostas do setor

O mercado de reposição é a principal fonte de receita da indústria instalada no Brasil, representando 62% das suas vendas totais, enquanto o fornecimento direto a montadoras de veículos responde pelos 38% restantes. Considerando todo o volume comercializado pelos fabricantes locais (reposição + montadoras), houve uma queda geral de 8,6% nas vendas até agosto (23,6 milhões de unidades).

A cadeia produtiva nacional conta com 19 fábricas distribuídas por sete estados, gerando cerca de 35 mil empregos diretos e 500 mil indiretos. Diante da circunstância atual, a Anip e mais de 40 outras entidades do setor automotivo apresentaram propostas ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) para tentar reequilibrar a concorrência.

Entre as medidas solicitadas estão:

  1. Elevação de tarifa: aumento da alíquota de importação para pneus de passeio dos atuais 25% para 35%
  2. Preço de referência: adoção de um valor mínimo de referência na alfândega para evitar distorções de preços em relação ao mercado internacional
  3. Fiscalização ambiental: reforço do cumprimento do recolhimento de pneus inservíveis por parte dos importadores. Segundo dados do IBAMA citados pela Anip, os importadores acumulam um passivo ambiental superior a 500 mil toneladas de pneus não recolhidos nos últimos 14 anos.

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