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Pacote de “bondades” do governo Lula muda voto? Diretor da Quaest avalia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Pacote de “bondades” do governo Lula muda voto? Diretor da Quaest avalia

A pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28), revelou que o reajuste de 15% no Bolsa Família, as restrições às bets e a promessa de distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS obtiveram alto grau de conhecimento e grande aprovação entre a população.

Em entrevista ao Hora H desta segunda, o diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo destacou dois pontos centrais a respeito dos resultados do levantamento.

“O primeiro é que muita gente ficou sabendo. Para uma proposta se tornar efetiva em termos de intenção de voto, ela precisa ser conhecida, e os dados mostram claramente que a grande maioria da população ficou sabendo“, afirmou.

O segundo ponto, segundo ele, é que a adesão cresce com o conhecimento: “Juntando quem sabia e aprovava e quem não sabia e depois passa a aprovar, é um percentual muito grande, a gente está falando de 60% entre as diferentes medidas.”

Russo destacou que as três propostas apresentaram “alto grau de conhecimento e grande aderência na população”.

O que a Quaest revelou sobre pacote de “bondades”

Entre o público feminino, o reajuste do Bolsa Família registrou aprovação de 62%. 47% das mulheres já conheciam e aprovavam a medida, enquanto 15% não sabiam, mas, ao serem informadas, consideraram uma boa ideia.

A restrição às bets somou 64% de aprovação entre as mulheres, sendo 38% que já sabiam e aprovavam, e 26% que passaram a aprovar após tomar conhecimento.

Já as canetas emagrecedoras, descritas como uma promessa do governo ainda sem data definida para ser implementada, foram aprovadas por 62% das mulheres. 43% já conheciam e apoiavam a medida, e 19% aderiram após serem informadas.

Entre os homens, a aprovação do Bolsa Família foi de 56%. 43% já sabiam e aprovavam, e 13% passaram a aprovar ao tomar conhecimento. A desaprovação, no entanto, foi um pouco maior nesse grupo: 34% já sabiam e desaprovavam a medida.

As restrições às bets alcançaram 61% de aprovação masculina, com 43% já cientes e favoráveis, e 18% que aderiram após serem informados.

As canetas emagrecedoras tiveram aprovação menor entre os homens, de 53%, sendo 33% que já sabiam e aprovavam, e 20% que passaram a aprovar.

Movimento pendular no eleitorado feminino

Nas pesquisas de intenção de voto, os dados da Quaest mostraram uma reversão na tendência entre o eleitorado feminino. Segundo Russo, semanas antes, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) vinha avançando entre as mulheres, mas a divulgação das medidas do presidente Lula (PT) reverteu esse movimento.

“O governo agora está começando a fazer algumas entregas que impactam mais as mulheres, as mulheres sentem como algo que elas estavam em busca nesse governo”, explicou.

A diferença entre Lula e Flávio entre as mulheres passou a ser de nove pontos percentuais favoráveis a Lula na rodada mais recente da pesquisa.

Russo explicou que os movimentos pendulares observados nas pesquisas refletem um eleitorado ainda indeciso, que oscila ao ser estimulado a tomar uma posição. Esse eleitorado é composto, em grande parte, por mulheres, pessoas da classe C e eleitores do Sudeste.

“São os eleitores que ainda não têm certeza do que vão fazer, mas, quando a gente estimula, eles tomam uma posição”, disse.

Na intenção de voto espontânea para o primeiro turno, Lula marcava cerca de 31%, o que, segundo Russo, representa um eleitorado já decidido. “É na pesquisa estimulada que acabam acontecendo esses movimentos pendulares”, afirmou o diretor da Quaest.

Voto útil e abstenção

Russo também comentou o fenômeno do voto útil. O diretor da Quaest observou que parte das mudanças recentes na pesquisa se deve a eleitores que antes optavam por candidatos da chamada terceira via, como Romeu Zema (Novo), Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), e que passaram a antecipar seu voto para Lula ou Flávio.

Segundo ele, essa tendência deve continuar, mas tem um limite: “Eles não vão chegar a zero, eles devem ter sim alguns pontos percentuais de voto no domingo.”

Sobre a abstenção, Russo afirmou que a expectativa é de leve alta em relação a 2022, quando ficou em torno de 21% do eleitorado.

Segundo ele, os fatores que explicam o crescimento gradual da abstenção ao longo dos anos são o envelhecimento do eleitorado (maiores de 70 anos não são obrigados a votar) e a maior facilidade para justificar a ausência.

“A decisão de votar acaba sendo muito decidida ali na reta final, na sexta, no sábado ou no domingo, então as pesquisas de véspera vão poder trazer essa indicação da abstenção”, concluiu.

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