O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez uma visita secreta aos Emirados Árabes Unidos neste domingo (27) e se reuniu com o presidente do país, Sheikh Mohammed bin Zayed (MBZ), segundo uma fonte israelense com conhecimento da visita disse à CNN.
A fonte afirmou que o Irã dominou a agenda do encontro, em uma área na qual os dois países aprofundaram a cooperação, inclusive durante a atual guerra contra o Irã.
O gabinete do primeiro-ministro não confirmou oficialmente a visita. A CNN procurou o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos para comentar.
A visita ocorreu exatamente um mês antes das eleições de Israel, marcadas para 27 de outubro, em meio a uma crescente controvérsia política sobre reportagens do Haaretz e do New York Times segundo as quais MBZ teria alertado Netanyahu sobre uma grande operação do Hamas dias antes do ataque de 7 de outubro de 2023.
Separadamente, a revista The Atlantic informou que o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, viajou a Israel em 26 de setembro de 2023 para alertar que Gaza iria “explodir”.
O gabinete de Netanyahu negou repetidamente ter recebido qualquer alerta e classificou as reportagens como mentiras fabricadas com o objetivo de prejudicá-lo eleitoralmente. Seus rivais, porém, usaram as alegações para transformar a responsabilização pelo fracasso em impedir o ataque de 7 de outubro de 2023 em uma questão central da campanha.
Gadi Eizenkot, atualmente apontado nas pesquisas como o principal adversário de Netanyahu, afirmou no sábado (26) que a revelação recente “não deixa dúvidas: Netanyahu conduziu, com cegueira, arrogância e irresponsabilidade, o Estado de Israel ao maior desastre de sua história”.
Netanyahu fez uma visita secreta aos Emirados pela última vez em março de 2026, nos primeiros dias da guerra contra o Irã. A visita permaneceu em segredo até que o gabinete de Netanyahu revelou, em maio, o encontro com MBZ, classificando-o como um “avanço histórico”. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados, no entanto, negou a declaração na época, classificando-a como “completamente infundada”.
Durante a guerra, Israel enviou um sistema de defesa antimísseis Iron Dome aos Emirados Árabes Unidos, e autoridades israelenses afirmaram que a cooperação de segurança entre os dois países atingiu níveis sem precedentes.

