Às vésperas do primeiro turno das eleições, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram esforços na conquista dos eleitores indecisos. Embora esse grupo represente um percentual cada vez menor do eleitorado, ele é considerado estratégico na reta final da disputa.
Durante o Bastidores CNN desta segunda-feira (28), a analista de política Isabel Mega detalhou os movimentos das duas principais campanhas presidenciais e o perfil do eleitor que ambas buscam alcançar nesta semana decisiva.
Segundo Mega, a campanha petista traça uma “persona” bem definida de quem seria o eleitor indeciso que Lula busca: uma mulher de baixa renda, com renda familiar entre zero e dois salários mínimos, chefe de família e preocupada com custo de vida, segurança, educação e saúde.
Esse mesmo perfil, no entanto, também é alvo da campanha de Flávio Bolsonaro. De acordo com a analista, Flávio enfrenta mais dificuldades com as mulheres e com o eleitorado de baixa renda.
Por isso, ao adotar o discurso do custo de vida como bandeira, a campanha bolsonarista tenta abocanhar justamente esses votos.
“É um eleitor que topa ouvir as propostas do Flávio, topa sair de um posicionamento mais à esquerda, que não se importa com um tipo de coerência, de lógica, de votar sempre em um segmento. Em uma eleição pode votar na esquerda, em outra pode votar na direita”, descreveu Mega.
Preocupação com abstenção
Além da disputa pelos indecisos, a campanha petista também demonstra preocupação com a abstenção, especialmente entre os eleitores com 70 anos ou mais.
Lula tem reforçado publicamente a necessidade de esse grupo comparecer às urnas, já que muitos enfrentam dificuldades de locomoção. De acordo com Mega, a campanha realiza ações abertas voltadas ao chamado “voto 70+”, repetindo uma estratégia já utilizada em 2022.
A analista destacou que a questão da abstenção vai além dos idosos. “Quem não é obrigado vai ponderar como está o humor do dia, se estiver chovendo, são coisas etéreas que acabam influenciando na linha comportamental.”
Segundo ela, mesmo entre os eleitores com idade para o voto obrigatório, a facilidade de justificar o não comparecimento junto à Justiça Eleitoral torna o cenário incerto para as campanhas.
Possibilidade de resolução no primeiro turno
Outro ponto destacado pela analista é a discussão crescente sobre uma possível resolução da eleição já no primeiro turno. Com a desidratação da chamada terceira via, a questão central passa a ser para onde irão esses votos.
“Indo para Flávio, ajuda em um eventual cenário de resolução do primeiro turno para o campo bolsonarista. Não indo para Flávio e Lula conseguindo mais margem para ampliação no eleitorado indeciso, aí sim a campanha petista sairia com mais vantagem”, explicou Mega.
Nesse contexto, chamou a atenção uma declaração de Lula ao programa “Canal Livre”, da TV Bandeirantes, na qual ele afirmou esperar que a eleição seja resolvida já no primeiro turno. “É um discurso que eles vão pregar ao longo dessa semana”, concluiu a analista.

