Um atleta nato, Terry Fox era apaixonado por basquete e estudava cinesiologia, a ciência do movimento, em uma universidade pública do Canadá. Seu sonho era ser professor de educação física e ajudar jovens do ensino médio a encontrar inspiração no esporte.
Mas aos 18 anos, um diagnóstico de câncer ósseo interrompeu seus planos.
Símbolo
Entre setembro e outubro, cidades por todo o Brasil sediam corridas beneficentes em homenagem ao jovem canadense cuja curta vida marcou para sempre a luta contra o câncer.
A Terry Fox Run – com edições em Brasília, Rio de Janeiro, Franca, Indaiatuba e Santa Bárbara d’Oeste – arrecada fundos para investir em pesquisa e tratamento da doença, especialmente em crianças e adolescentes.
Quem foi Terry Fox?
O atleta nascido em 1958 é descrito como talentoso, dedicado e um tanto teimoso. A Terry Fox Foundation, criada para continuar sua missão até os dias atuais, conta que o rapaz dava o melhor de si em tudo o que fazia e esperava que os outros fizessem o mesmo. Ele tinha um melhor amigo, Doug, que o acompanhava em todas as modalidades. E eram muitas: a dupla praticava atletismo, rugby, luta e basquete.
Em 1977, Terry descobriu um osteossarcoma na perna direita. É a forma mais comum de câncer nos ossos e inclui a amputação como tratamento; no caso do canadense, médicos decidiram remover o membro até a metade da coxa para impedir a doença de atingir outras áreas.
Por 16 meses, o jovem conviveu com outros pacientes enquanto aprendia a viver em um novo corpo. Ele adquiriu uma prótese esportiva feita de aço e fibra de vidro e passou a planejar seu retorno aos esportes.
Mais de dois anos após a amputação, Terry voltou a correr e deu início a um projeto que se tornaria seu maior legado: atravessar o Canadá do Atlântico ao Pacífico, correndo, para arrecadar fundos para pesquisas da cura do câncer.
A Maratona da Esperança
Em 1980, já com 21 anos, Fox partiu da costa leste do Canadá (começando literalmente com os pés no Oceano Atlântico) e começou sua corrida. Ele percorria a distância de uma maratona, 42 quilômetros, quase todos os dias, correndo entre carros nas principais rodovias do país e visitando mais de 400 cidades.
Seu melhor amigo, Doug, acompanhou parte do caminho de carro, produzindo registros fotográficos impressionantes. O objetivo era divulgar o feito, chamar a atenção para a luta contra o câncer e conseguir arrecadar, no mínimo, um dólar canadense por cada cidadão.
“Quero ser um exemplo que nunca será esquecido”, disse Terry à imprensa na época.
A notícia não demorou a se espalhar pelo país, e o atleta começou a atrair multidões que aguardavam para ouvir sua história ou apenas vê-lo passar. Ao chegar na província de Ontário, ele já havia atingido sua meta de arrecadação e foi recebido com festa.
Mas uma má notícia também o aguardava.
Viagem interrompida
Enquanto percorria a cidade de Thunder Bay, em Ontário, Terry sentiu dores intensas no peito e decidiu parar para descansar. Quando acordou, a dor não havia cessado; foi quando ele decidiu pedir ajuda a Doug para ir ao hospital.
“Essa pode ser minha última milha”, pensou, segundo relato no site da fundação.
Exames confirmaram que o câncer havia voltado, desta vez instalando-se nos pulmões. Seus pais foram avisados e viajaram para encontrar o filho pela última vez.
Terry Fox morreria pouco depois de encerrar sua maratona em 1º de setembro, aos 22 anos.

