Na hora de substituir os pneus do automóvel, o preço costuma ser o primeiro fator analisado pelos motoristas. No entanto, por constituírem o único ponto de contato direto entre o veículo e o asfalto, a escolha do componente errado pode comprometer a estabilidade nas curvas, aumentar a distância de frenagem em pistas molhadas e elevar o consumo de combustível.
Sinais visuais de degradação, desgastes irregulares e o indicador TWI (Tread Wear Indicator), ressalto de borracha localizado nos sulcos da banda de rodagem, sinalizam quando o pneu atingiu o limite legal de uso e precisa ser trocado.
Com a necessidade de substituição confirmada, especialistas orientam que a decisão de compra considere critérios técnicos. “Pneus adequados e de qualidade reduzem o tempo e a distância de parada em freadas brutas, além de diminuírem o risco de aquaplanagem na chuva”, aponta Cláudio Santos, CEO da Blumo Mecânica Automotiva. “Modelos com baixa resistência ao rolamento também exigem menos esforço do motor, o que se reflete diretamente na economia de combustível ou na autonomia de veículos elétricos.”
Confira os seis pontos fundamentais a serem verificados antes de adquirir um novo jogo de pneus.
1. Medidas e especificações de fábrica
A dimensão correta deve seguir estritamente a indicação contida no manual do proprietário, na etiqueta afixada na coluna da porta do motorista ou na lateral dos pneus originais.
A sequência alfanumérica especifica a largura da banda de rodagem (em milímetros), o perfil (porcentagem da altura em relação à largura), o tipo de construção (geralmente “R”, para radial) e o diâmetro da roda em polegadas.
2. Índices de carga e velocidade
Gravados logo após a medida do pneu, esses dois códigos estabelecem, respectivamente, o peso máximo suportado por cada roda e a velocidade limite para a qual o componente foi projetado. Os índices dos novos pneus devem ser sempre iguais ou superiores aos especificados pela montadora.
3. Etiqueta de desempenho
A etiqueta do Inmetro fornece dados sobre três parâmetros vitais:
- Aderência em piso molhado: classificada de A a E (ou G em modelos antigos), indica a capacidade de frenagem sob chuva. A diferença de parada entre uma classe A e uma E pode chegar a vários metros em uma frenagem de emergência;
- Eficiência energética: avalia a resistência ao rodar. Quanto melhor a classificação, menor a energia exigida para movimentar o carro;
- Ruído externo: medido em decibéis (dB), aponta o nível de barulho gerado pelo rolamento do pneu no asfalto.
4. Data de fabricação (DOT)
Marcado na lateral da peça, o código DOT exibe quatro dígitos finais que revelam a semana e o ano em que o pneu foi produzido (por exemplo, “1224” indica a 12ª semana de 2024). Como a borracha sofre processo natural de ressecamento e oxidação mesmo estocada, deve-se evitar a compra de pneus fabricados há muitos anos, ainda que zerados.
5. Índice Treadwear (Durabilidade)
Presente no sistema de classificação UTQG (impresso na lateral do produto), o índice Treadwear varia numericamente (geralmente entre 60 e 800) e mede a durabilidade relativa da banda de rodagem em testes padronizados. Quanto maior o número, mais lenta tende a ser a degradação do material sob condições normais de rodagem.
6. Relação custo-benefício e categoria do produto
Linhas de pneus de marcas consagradas costumam entregar compostos de borracha mais avançados, que oferecem melhor equilíbrio entre estabilidade e menor distância de parada na chuva. Opções intermediárias costumam apresentar bom custo-benefício para uso urbano diário, enquanto modelos de baixo custo demandam cautela adicional do condutor, já que podem apresentar desempenho inferior em frenagens críticas e durabilidade reduzida.

