⚡ Últimas

Decisão de Dino “parece violar devido processo legal”, diz especialista

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Decisão de Dino “parece violar devido processo legal”, diz especialista

O ministro Flávio Dino cassou neste domingo (27) uma decisão de André Mendonça que havia determinado a remoção de uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre um suposto ataque a Nossa Senhora Aparecida. A medida gerou amplo debate jurídico sobre a forma como a decisão foi concedida e seus desdobramentos processuais.

Em entrevista à CNN, Rogéria Dotti, presidente da Comissão de Processo Civil da OAB Nacional, avaliou que a principal preocupação não está no mérito da decisão, mas no caminho processual utilizado para obtê-la. Segundo ela, o que ocorreu não foi propriamente um recurso, já que o recurso cabível deveria ser direcionado ao plenário do próprio Tribunal Superior Eleitoral.

“Há uma profunda preocupação do ponto de vista processual porque parece violar o devido processo legal”, afirma ela.

Violação ao devido processo legal

Em vez de seguir o rito adequado, o humorista apresentou uma simples petição diretamente a Flávio Dino, inserida em outro processo que dizia respeito a partes distintas — Marlon Reis e Deltan Dallagnol.

O argumento utilizado foi o de que havia matéria semelhante naquele outro caso, no qual Dino já figurava como relator e já havia proferido decisão favorável. “A grande preocupação é o modo como essa decisão do ministro Flávio Dino foi concedida”, afirmou Rogéria Dotti.

Para a especialista, isso equivale a permitir que a parte escolha o juiz que analisará o caso, violando frontalmente o princípio do juiz natural e o devido processo legal.

Rogéria Dotti explicou que o caminho correto seria a apresentação de uma reclamação autônoma ao Supremo Tribunal Federal, submetida a sorteio para distribuição regimental entre os ministros.

“O que nós vimos aqui, lamentavelmente, é um atalho que viola o devido processo legal“, disse. A própria parte, segundo ela, reconheceu na petição que o procedimento mais ortodoxo seria a reclamação autônoma, alegando urgência para justificar o atalho adotado.

Conflito institucional entre STF e TSE

Do ponto de vista técnico, Rogéria Dotti ressaltou que o Tribunal Superior Eleitoral é o órgão máximo nas questões eleitorais, e o STF só poderia intervir após manifestação do plenário do TSE — o que não ocorreu no caso em questão.

“O caminho adequado seria um recurso contra a decisão do ministro André Mendonça diretamente para o plenário do Tribunal Superior Eleitoral”, afirmou.

A especialista lembrou ainda um precedente de 2021, quando houve atrito institucional entre as duas cortes envolvendo o deputado Fernando Francischini. Naquela ocasião, uma liminar concedida no STF pelo ministro Kassio Nunes Marques foi posteriormente revogada pelo próprio Supremo, mantendo a decisão do TSE.

Precedente perigoso e próximos passos

Questionada sobre a possibilidade de reversão da decisão, Rogéria Dotti afirmou que, por se tratar de uma decisão liminar e monocrática, cabe recurso ao próprio STF. Ela classificou o precedente como “perigosíssimo”, tanto pelo conflito institucional entre as cortes quanto pela possibilidade de que partes passem a direcionar petições a ministros específicos com base em posições já formadas.

“O que se teme é uma guerra de liminares, em que as cortes estejam colocadas em lados opostos”, alertou. Para ela, no âmbito eleitoral, o TSE deve ter a última palavra, e o STF só pode agir diante de comprovada violação a uma garantia fundamental.

Sobre a questão da liberdade de expressão, a especialista foi categórica ao afirmar que nem a liberdade de expressão nem a liberdade religiosa são direitos absolutos.

“Não há dúvida aqui que se tratava de uma notícia falsa e, portanto, sendo uma notícia falsa, é plenamente possível ao Poder Judiciário determinar a remoção das redes”, declarou.

Segundo ela, isso não caracteriza censura prévia nem viola a liberdade de expressão, já que o STF reconhece que esse direito não é compatível com a divulgação de fake news.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
Decisão de Dino “parece violar devido processo legal”, diz especialista — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado