Primeira brasileira a obter o título de urbanista, a engenheira mato-grossense Carmen Velasco Portinho (1903-2001) foi um dos nomes mais importantes a favor do feminismo no país.
A profissional foi responsável por acompanhar grandes mudanças sociais no Brasil ao longo do século 20. Ela passou a se interessar por pautas sociais depois de se formar em Engenharia na antiga Universidade do Brasil (1925) e depois por ingressar na Diretoria de Obras e Viação da prefeitura do Rio.
Conheça a história
Uma das primeiras barreiras quebradas por Carmen foi a oportunidade de lecionar no tradicional Colégio Dom Pedro II, até então um internato exclusivamente masculino.
Em sua pós-graduação em urbanismo, elaborou o anteprojeto em formato de transatlântico para a futura capital federal, Brasília, considerando a proposta de criar uma cidade baseada nos conceitos do urbanismo moderno, antes da ideia do avião ser levada adiante.
Em meio aos grandes projetos, Portinho se tornou uma figura central na conquista do voto feminino no Brasil ao lado de Bertha Lutz (1894-1976). Ela chegou a sobrevoar a cidade do Rio de Janeiro soltando panfletos de dentro de um avião com informações sobre o sufrágio, que é o direito ao voto em eleições políticas.
Fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino em 1922, a União Universitária Feminina em 1930 e a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas em 1937, sempre defendendo o acesso de mulheres ao ensino superior, ao mercado de trabalho e também aos espaços de poder, sempre dominados pelos homens.
Grandes obras
Carmen Velasco Portinho também teve papel importante na arquitetura moderna de serviços essenciais na capital fluminense. Após estagiar na Europa após a Segunda Guerra Mundial, ela criou e dirigiu o Departamento de Habitação Popular do Rio de Janeiro.
Além disso, foi responsável por viabilizar a construção do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio, sendo a única mulher em um canteiro com 450 homens, além de ter comandado a Escola Superior de Desenho Industrial, a primeira do segmento na América Latina, por 20 anos.
Em 1987, reforçou seu papel em suas lutas sociais ao entregar Carta das Mulheres aos constituintes, garantindo direitos na nova Constituição, estabelecida no ano seguinte.
Carmen morreu em 2001, e somente em 2022 foi declarada oficialmente a patrona do urbanismo no Brasil.
Sua história é contada pela ANE Brasil, a Academia Nacional de Engenharia e também pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil).
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