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Eles colocaram eletrodos no cérebro de um cachorro e descobriram que o cão consegue segmentar a fala humana contínua em palavras

Radar Olhar Aguçado(há 43 minutos)
Eles colocaram eletrodos no cérebro de um cachorro e descobriram que o cão consegue segmentar a fala humana contínua em palavras

Um novo estudo realizado por pesquisadores na Hungria, publicado na revista Science , revela que os cães conseguem segmentar a fala contínua em palavras de uma forma que antes só era observada em humanos.

Pesquisadores húngaros do Laboratório de Neuroetologia da Comunicação, em Budapeste, testaram como o cérebro dos cães responde a padrões de fala, sugerindo que a exposição à linguagem humana pode remodelar a função cerebral mesmo em espécies sem habilidades linguísticas complexas.

A equipe de pesquisa comparou as respostas cerebrais de 20 humanos e 20 cães de companhia a diferentes tipos de fluxos de fala. Usando eletrodos de EEG colocados no couro cabeludo dos participantes, os cientistas mediram a atividade elétrica cerebral enquanto os indivíduos ouviam fala contínua, sem pausas ou interrupções acústicas.

“Colocamos eletrodos no couro cabeludo de cães e humanos e medimos a atividade elétrica do cérebro enquanto mostrávamos fala contínua para esses indivíduos, tanto cães quanto humanos”, disse o neurocientista cognitivo Attila Andics, que também é um dos autores correspondentes do estudo.

Os pesquisadores testaram três tipos de padrões de fala: esqueletos de palavras baseados em consoantes, padrões baseados em vogais e sequências aleatórias de sílabas. Tanto cães quanto humanos apresentaram maior atividade cerebral ao processar a fala com padrões consonantais em comparação com os outros tipos.

Estudo com cães sobre compreensão da fala humana
Estudo com cães sobre compreensão da fala humana • Reprodução/Reuters

“O que descobrimos foi que, para a fala com padrão consonantal, essa atividade rítmica aumentou mais do que para a fala com padrão vocálico ou para a fala aleatória, tanto em cães quanto em humanos”, disse Andics. As descobertas sugerem que os cães, assim como os humanos, têm uma preferência por consoantes ao processar a fala que ouvem.

O estudo desafia pressupostos sobre a evolução da linguagem, indicando que a fala pode moldar a função cerebral sem exigir sistemas linguísticos complexos. “A fala pode moldar o cérebro de animais que não possuem as habilidades linguísticas complexas que os humanos têm”, acrescentou Andics.

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