Antes de decidir quanto comprar, onde investir ou como responder a um problema, uma organização precisa reunir dados, conferir informações e acompanhar o que acontece em diferentes áreas. Parte desse trabalho já pode ser executada por sistemas de inteligência artificial.
Fundada em 2026, a HomoDeus é um laboratório de IA aplicada que desenvolve sistemas para atuar diretamente na operação dos negócios. A tecnologia executa tarefas e acompanha informações, enquanto as pessoas definem objetivos e avaliam os resultados.
“A maioria das empresas está implementando dashboards bonitos. Pouca gente constrói sistemas que criam valor de verdade, agentes que trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana”, afirma João Panizzutti, CEO e cofundador da HomoDeus.
Para que esses sistemas funcionem, processos, áreas e decisões são representados em dados e conectados. A HomoDeus chama essa estrutura de sistema operacional: uma representação digital do negócio sobre a qual diferentes aplicações de IA podem atuar. O laboratório desenvolve projetos em setores como hotelaria, varejo e holdings.
De uma sabatina para dez
Durante uma eleição, debates e sabatinas podem acontecer simultaneamente em diferentes estados. Para uma redação, acompanhar esse volume significa assistir às entrevistas, localizar assuntos e falas relevantes, conferir as informações e produzir conteúdo em pouco tempo.
O Monitor de Debates, desenvolvido pela HomoDeus com CNN Brasil e Itatiaia para as eleições de 2026, executa parte dessas tarefas. O sistema acompanha debates e sabatinas ao vivo ou por gravação, transcreve o conteúdo, separa as conversas por temas e prepara cortes, resumos e rascunhos de matérias.
Cada frase gerada traz a referência do trecho da transcrição usado como fonte. A escolha do que tem relevância jornalística e a decisão sobre a publicação continuam nas mãos da redação. Nada é publicado sem a aprovação de um editor.
Com o Monitor, um jornalista consegue acompanhar dez sabatinas em vez de uma.
Até 21 de setembro, o sistema havia processado 233 horas de conteúdo. Assistir a todo esse material consumiria cerca de 29 dias inteiros de trabalho de um jornalista, antes mesmo de selecionar uma fala ou escrever uma linha.
No mesmo período, estavam disponíveis 274 debates e sabatinas, produzidos por 35 veículos e 79 canais, em 14 estados, nas disputas para Presidência, governos estaduais e Senado. O Monitor havia preparado 586 blocos resumidos, todos acompanhados das respectivas fontes. CNN Brasil e Itatiaia acessam o conteúdo pelo mesmo console.
Os resumos ficam disponíveis cerca de três minutos depois do fim de cada bloco. Uma sabatina de 50 minutos pode ser consultada em poucos minutos, com acesso à origem das informações usadas pelo sistema.
Da rotina ao sistema
O trabalho que resultou no Monitor começou dentro da redação. Nos demais projetos, os engenheiros da HomoDeus também acompanham de perto a atividade que será trabalhada, conversam com quem a executa e identificam tarefas manuais e gargalos antes de desenvolver o sistema.
“Somos um laboratório de IA, mas somos também um laboratório de resultados. Os engenheiros entram na operação, vão ao chão de fábrica, entendem o problema, resolvem o problema, e depois cobramos por um indicador”, diz Panizzutti.
Segundo a HomoDeus, os projetos buscam resultados mensuráveis, como aumentar o EBITDA, reduzir custos, eliminar etapas manuais ou encurtar atividades que antes levavam dias.
“Começamos com o problema da empresa, e vamos melhorando o produto até o sistema ficar da melhor maneira possível”, afirma.
Em busca de jovens talentos
A HomoDeus afirma ter como missão reunir o melhor talento jovem do mundo e busca engenheiros e cientistas da computação no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos, inclusive profissionais ainda no início da carreira.
“Tem pessoas muito boas, que não foram descobertas ainda por grandes empresas. Queremos dar o ambiente para essas pessoas melhorarem e evoluírem”, afirma Panizzutti.
O interesse por jovens profissionais também aparece na história do fundador. Panizzutti viveu no Brasil até os 14 anos e conta que, na juventude, sentia-se diferente dos amigos e tinha dificuldade de encontrar um lugar ao qual pertencesse. Fora do país, formou-se em Matemática e Ciência da Computação.
Mais tarde, trabalhou como forward deployed engineer, função que o colocou dentro da operação de clientes, em contato direto com as equipes e os problemas a serem resolvidos. Nesse período, trabalhou com companhias da Fortune 500.
Na HomoDeus, Panizzutti busca profissionais que identifiquem problemas, proponham soluções e assumam responsabilidade pelos resultados, perfil que a companhia chama de “alta agência”.
Entre as referências da empresa está The Technological Republic, de Alex Karp e Nicholas Zamiska, livro que defende a proximidade entre equipes de tecnologia e os problemas que precisam resolver. A HomoDeus também quer formar futuros fundadores, dando a jovens profissionais espaço para assumir projetos e desenvolver produtos desde cedo.
Empresas pensadas desde o início com IA
Hoje, a HomoDeus desenvolve sistemas para operações que já existem. Nos próximos anos, quer também criar serviços nativos de inteligência artificial, pensados desde a origem para funcionar com essa tecnologia.
A companhia pretende reunir capital, tecnologia e profissionais para desenvolver novos negócios. Segundo Panizzutti, a intenção é que, com o tempo, a HomoDeus também seja dona das companhias que reconstruir.
O trabalho atual coloca a equipe em contato com operações de diferentes setores e permite conhecer de perto seus processos e problemas. Segundo a HomoDeus, a experiência acumulada nesses projetos também será usada na criação dos negócios que pretende desenvolver.
Para conhecer a HomoDeus, acesse: https://www.homodeus.co/pt
