O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá espaço para indicar dois nomes ao STF (Supremo Tribunal Federal) em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador vença as eleições presidenciais de 2026.
Segundo interlocutores próximos à campanha de Tarcísio, o entendimento faz parte da articulação política entre os dois e está relacionado ao apoio do governador à candidatura de Flávio.
A indicação dos nomes ocorreria dentro das quatro vagas que Flávio poderá preencher no STF ao longo de um eventual mandato.
Além da cadeira aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, o próximo presidente deverá indicar os substitutos de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que atingirão a idade-limite de 75 anos até o fim de 2030.
De acordo com a apuração da CNN Brasil, um dos nomes que Tarcísio pretende apresentar a Flávio é o de Natália Resende, atual secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do governo de São Paulo.
Resende é procuradora federal e ocupou o cargo de consultora jurídica do Ministério da Infraestrutura durante a gestão de Tarcísio como ministro do governo Jair Bolsonaro (PL). Ela também trabalhou com o atual governador no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), durante o governo Michel Temer (MDB).
A relação profissional entre os dois se estendeu ao governo de São Paulo. Tarcísio escolheu Natália Resende para comandar a secretaria que reúne as áreas de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.
Em 2026, ela também passou a coordenar o programa de governo da campanha de reeleição do governador e é considerada, internamente, com o status de “super-secretária”.
O segundo nome indicado por Tarcísio seria o de Jorge Oliveira, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União). Oliveira foi nomeado para a Corte de contas por Jair Bolsonaro em 2020, após atuar no governo como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e anteriormente como subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.
Ele também tem uma relação antiga com o grupo político ligado a Bolsonaro. Antes de chegar ao governo federal, foi assessor parlamentar de Jair Bolsonaro e chefe de gabinete de Eduardo Bolsonaro (PL) na Câmara dos Deputados.
A ligação com Tarcísio é anterior ao governo Bolsonaro. Os dois estudaram juntos no Colégio Militar de Brasília e integraram, posteriormente, o núcleo de auxiliares próximos de Bolsonaro no Palácio do Planalto.
Flávio Bolsonaro tem explorado durante este final de campanha o peso que o próximo presidente terá sobre a composição do Supremo. Em agosto, o candidato afirmou que pretende indicar quatro novos ministros para a Corte caso seja eleito.

