A possível proibição das apostas esportivas e dos cassinos on-line no Brasil pode eliminar cerca de 15,5 mil postos de trabalho, com impacto concentrado especialmente no setor de informática.
Segundo a apuração de Larissa Rodrigues para o Bastidores CNN desta sexta-feira (25), as empresas do segmento já sinalizaram que devem recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso a atividade seja proibida.
Para além da questão do mercado de trabalho, há também a preocupação com o impacto nas contas do governo. De janeiro a julho de 2026, a arrecadação do setor chegou a R$ 8,75 bilhões, sem considerar os R$ 2,5 bilhões em outorgas pagos pelas empresas no ano anterior.
Oficialmente, o Ministério da Fazenda diz não estar preocupado com a arrecadação. Dario Durigan afirmou à CNN no começo da semana que “se faz mal para o povo, a arrecadação não se justifica“.
Contudo, Larissa destacou que há sim preocupação tanto na Fazenda quanto em outras pastas. “Outros ministérios, como os da Justiça e o da Saúde, principalmente, também têm essa preocupação”, afirmou.
Isso porque a legislação que regulamentou as apostas no Brasil previa repasses percentuais para setores como assistência social e em projetos em andamento na Justiça e na Saúde.
Uma eventual proibição obrigaria o governo federal a encontrar, em um orçamento já considerado muito apertado, formas de manter esses programas em funcionamento.
Regulamentação e transição
Larissa lembrou que as conversas sobre a regulamentação das bets tiveram início no governo de Jair Bolsonaro (PL), com as primeiras autorizações, mas a regulamentação em si foi concluída no governo Lula.
“O grande problema agora é como o governo federal vai lidar com essa regulamentação que o próprio governo Lula criou“, afirmou a analista.
Para evitar que uma eventual proibição gere uma regra de transição muito pesada, cogita-se a possibilidade de renegociação de dívidas. Além disso, há a questão de como reintegrar ao mercado de trabalho os profissionais que seriam desligados com o fechamento das operações do setor.

