Nesta semana, foram veiculados nas redes sociais conteúdos que associavam o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um projeto que previa a retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país. A informação foi desmentida por Flávio em suas redes sociais nesta quinta-feira (24).
Na publicação, o senador garantiu não haver nenhuma possibilidade de existir alguma proposta do tipo. A autoria das postagens foi atribuída pelo senador à “milícia do PT” e, conforme mostrado pela CNN, a equipe jurídica da campanha avalia acionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre o caso e já avalia identificar perfis responsáveis pela origem da fake news.
“Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquela, para variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto. Então vamos lá, até o final, o PT só sabe fazer isso: mentir. Chegou no poder pela mentira, mas a gente vai tirar ele com a verdade”, disse em vídeo.
Os conteúdos publicados nas redes sociais utilizaram falas de Flávio Bolsonaro feitas em agosto, em que afirmou que “quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A declaração foi feita em um vídeo em que o presidenciável explicava a ausência no primeiro debate presidencial realizado pela TV Band.
Postagens utilizam a fala sem contexto para afirmar que o senador estaria com planos de tirar ou apoiar a retirada da condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. As supostas falas teriam sido apontadas como um aceno ao eleitorado evangélico, doutrina religiosa seguida pelo político, e um “ataque” aos católicos.
No entanto, a proposta mencionada é de 2007, apresentada pelo então deputado federal Professor Victório Galli (à época PSL-MT). O Projeto de Lei 2.623/2007 pretendia mudar a lei do feriado do dia 12 de outubro e trocar a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
Porém, o projeto foi arquivado pela mesa diretora da Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2022.
Na legenda da publicação desta quinta, Flávio também reforçou o respeito a quaisquer religiões e aproveitou para fazer uma crítica ao seu principal rival, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No texto da postagem, o senador se referiu à fala de Lula em favor do fim do celibato na Igreja Católica.
“Respeito todas as religiões e também quem não tem religião! Diferente do Lula, que quer se meter até nas regras da Igreja Católica. Deus no comando sempre!”, declarou.
Em café com jornalistas na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) nesta quarta (23), o presidente da entidade, Dom Jaime Spengler, disse que a Igreja Católica não se manifesta sobre questões político-partidárias nem declara preferência por qualquer candidato.
No café, sem citar nomes, ele criticou a mistura de religião e política ao ser questionado pela reportagem sobre a intersecção de ambas. Dom Jaime Spengler ressaltou que, quando isso aconteceu na história, “o resultado não foi positivo”.
*Sob supervisão de Renata Souza

