As Testemunhas de Jeová são uma denominação cristã que baseia suas doutrinas na Bíblia e rejeita alguns dogmas tradicionais do cristianismo histórico. Entre suas principais crenças está a recusa às transfusões de sangue, inclusive em tratamentos médicos.
Segundo o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, a posição contra as transfusões tem fundamentação religiosa, e não médica. A interpretação adotada pela religião se baseia em passagens do Antigo e do Novo Testamento.
Uma das principais justificativas é a compreensão de que o sangue representa a vida e, por isso, é considerado sagrado. A interpretação é associada, entre outros trechos, a Levítico 17:14. Os fiéis entendem que a Bíblia dá orientações claras para se absterem de sangue, inclusive na alimentação.
Segundo a interpretação da religião, a vida está representada no sangue e pertence a Deus, razão pela qual o consumo ou uso de sangue seria incompatível com seus princípios religiosos.
Em procedimentos médicos, a religião defende o uso de alternativas às transfusões. Segundo o Corpo Governante, técnicas de conservação de sangue e procedimentos cirúrgicos que dispensam transfusões evoluíram ao longo dos anos não sendo necessário, portanto, qualquer tipo de utilização do sangue.
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Regra flexibiliza recebimento e doação de sangue
Uma nova determinação do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová permite que os fiéis decidam individualmente sobre o recebimento e a doação de componentes do sangue.
A regra foi divulgada no site oficial da denominação cristã na última sexta-feira (18) e estabelece que a decisão sobre aceitar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plasma ou plaquetas de outra pessoa é uma “questão de consciência pessoal”.
Essa flexibilização dá continuidade a atualizações anteriores sobre o papel da consciência individual na decisão de utilizar frações do sangue ou o próprio sangue em procedimentos médicos.
Transfusão total continua proibida
As transfusões de sangue total, por outro lado, continuam expressamente proibidas. O Corpo Governante afirma que a proibição total é uma questão religiosa, e não médica.
“Tanto o Velho como o Novo Testamento claramente nos ordenam a nos abster de sangue. […] Além disso, para Deus, o sangue representa a vida. […] Então, nós evitamos tomar sangue por qualquer via não só em obediência a Deus, mas também por respeito a ele como Dador da vida”, afirma a organização.

