O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição está preocupada com a oferta de crédito agressiva e que a instituição observa medidas de “enforcement” para manter a estabilidade econômica. A fala ocorreu nesta quinta-feira (24), em coletiva de apresentação do RPM (Relatório de Política Monetária).
“O que estamos preocupados é sobre as medidas de estabilidade, especificamente, com a chamada oferta de crédito agressivo ou até predatório. O que tenho dito sobre essas medidas é que elas independem do momento do ciclo econômico. Se eu tivesse a oportunidade de iniciar um sistema financeiro do zero, um papel em branco, eu incluiria as medidas que deveriam ser tomadas independente do momento do ciclo econômico, do ponto de vista macroprudenciais”, afirmou.
Galípolo não citou nenhum tipo de crédito específico, mas exemplificou que as regras atuais podem ser reforçadas no caso da forma de oferta daquele recurso, e na escolha do cliente. “Toda vez que a gente entende que existe oferta predatória é para ser limitada mesmo. Se for, precisa pensar em limitações a ela”.
O presidente da autoridade monetária apontou que o BC tem olhado para as experiências internacionais em torno do tema, como conscientização do cliente do que é a linha de crédito mais cara, e se caberia uma linha mais adequada. “A experiência do cliente, comportamental, tem peso grande na escolha da linha de crédito”, afirmou.
O RPM (Relatório de Política Monetária) aponta que o crédito apresenta sinais de moderação em um contexto de política monetária restritiva.
O BC aponta desaceleração do crédito livre, endividamento das famílias em nível historicamente elevado e novos recordes de comprometimento de renda e inadimplência. As concessões de crédito livre às pessoas físicas recuaram, enquanto modalidades emergenciais ou de curto prazo ganharam participação.
O diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, apontou ainda para uma desaceleração adicional na concessão de crédito em 2027, em linha com a perspectiva de efeitos defasados da política monetária.

