Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um ato ao lado de artistas no Rio de Janeiro, na quarta-feira (23), em mais uma agenda de campanha à reeleição. O evento, no entanto, gerou críticas internas entre aliados, que avaliaram que a iniciativa teve alcance limitado, atingindo apenas um público já identificado com Lula — resumindo a percepção com a expressão “pregar para convertidos”.
Segundo apuração do jornalista Pedro Venceslau, no CNN 360°, a campanha do PT (Partido dos Trabalhadores) questionaram a realização do ato com artistas. Integrantes da campanha consultados afirmaram que o evento foi concebido para “gerar imagem para as redes sociais e recortes para a campanha na televisão”, destacando a presença de artistas que fazem novelas da Globo, além de nomes como Chico Buarque e Caetano Veloso.
No entanto, outros petistas, reservadamente, classificaram o evento como um erro estratégico. “Fazer um ato como esse no Rio de Janeiro exige distribuição de convites, aluguel de local e deslocamento do presidente. O presidente Lula poderia estar fazendo um ato em outra região, em Minas Gerais, onde ele precisa vencer ou reduzir a vantagem para o Flávio, ou consolidando votos em Pernambuco”, avaliaram.
Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, foi quem deu voz pública à insatisfação, em declaração ao site Poder 360. “O Lula não ganha nenhum voto com isso. Nós precisamos ganhar voto de quem não vota no Lula. Ele precisa procurar o voto do gospel, do sertanejo. Política é agregar com quem não tem”, disse Quaquá.
O próprio Quaquá foi o responsável por organizar a agenda de Lula em São Gonçalo nesta quinta-feira (24), que considerou mais relevante do ponto de vista eleitoral do que o ato com artistas.
Como foi a agenda nesta quinta-feira?
Lula cumpriu duas agendas no estado do Rio de Janeira. Pela manhã, esteve em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde visitou obras de modernização e ampliação da rodovia Presidente Dutra. Durante o discurso, criticou o que chamou de cultura de governar em benefício de aliados e afirmou que “quem é amigo de um presidente é o povo e não o ex-banqueiro Daniel Vorcaro“.
À tarde, Lula se deslocou para São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, onde realizou uma caminhada já como ato de campanha à reeleição. A cidade é considerada o berço eleitoral de Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, e registrou 55% dos votos para Jair Bolsonaro (PL) tanto no primeiro quanto no segundo turno da última eleição.
No trio elétrico, participaram Eduardo Paes (PSD), a candidata ao Senado Benedita da Silva (PT-RJ), o candidato ao Senado Pedro Paulo (PSD-RJ), além dos prefeitos Eduardo Cavalieri (PSD), do Rio, e Rodrigo Neves (PDT), de Niterói.
Declaração de Lula sobre o Banco Master
A fala de Lula sobre Daniel Vorcaro ocorreu um dia após Flávio Bolsonaro (PL) apresentar ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma notícia-crime contra Lula, pedindo a abertura de uma investigação por suposta prática de corrupção passiva e advocacia administrativa no caso do Banco Master.
Em São Gonçalo, Lula voltou a citar Vorcaro e disse que “não pode permitir que o STF fique sob suspeita” em relação ao caso. Lula também afirmou que “não cabe representação de miliciano dentro do Planalto” e fez um apelo para que os idosos votem nas eleições.

