Pelo menos um em cada cinco brasileiros já se deparou com imagens íntimas falsas produzidas por IA (inteligência artificial), segundo o Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres, divulgado nesta quarta-feira (23).
O contato com esse tipo de conteúdo é mais frequente entre homens e jovens de até 25 anos, de acordo com o levantamento, que ouviu exclusivamente pessoas maiores de 18 anos.
Esta é a primeira vez que o índice, desenvolvido pelo Instituto Natura e pela Avon, mede a percepção e a experiência dos brasileiros sobre violência digital contra mulheres.
Com a popularização das ferramentas de IA e a expansão de comunidades virtuais que disseminam discursos de ódio contra mulheres, como o grupo dos chamados “red pill”, o cenário se intensificou.
Conscientização sobre o problema
A pesquisa mostra que 37% da população brasileira foi classificada nos níveis “alto” ou “muito alto” de conscientização sobre a violência contra as mulheres em 2026. A proporção é oito pontos percentuais maior que a registrada em 2025.
Entre os homens, 28% foram classificados nesses dois níveis. Entre as mulheres, o índice chegou a 44%. A proporção aumentou em relação ao ano anterior tanto entre homens quanto entre mulheres.
Para medir o nível de conscientização da população sobre a violência contra mulheres, o índice considerou três eixos de avaliação:
- Cognição (o que sabem): 86% dos entrevistados concordam que a violência contra mulheres é um problema grave no Brasil. Ao mesmo tempo, 68% afirmam acreditar que a violência não distingue gênero;
- Atitude (o que fazem): 56% das mulheres afirmam que chamariam a polícia caso fossem vítimas de violência. Entre aquelas que já vivenciaram casos desse tipo, 17% disseram ter apresentado queixa a um órgão público e 14% buscaram ajuda em um serviço público especializado de atendimento à mulher;
- Percepção (o que percebem): entre as principais barreiras identificadas estão os inibidores emocionais (77%), como o medo de que a situação piore ou de sofrer retaliação do agressor; os inibidores institucionais (48%), como o receio de que a violência não pare ou até piore após uma denúncia formal; e a falta de conhecimento (30%), como a percepção de que outra pessoa mais preparada deveria intervir.
Cenário preocupante
O levantamento traz a tona um cenário preocupante sobre as mulheres. Ao longo das análises, metade das entrevistadas afirmou já ter temido pela própria vida durante uma discussão ou confronto. Além disso, ainda foi identificada a prevalência de situações cotidianas que podem não ser imediatamente reconhecidas como formas de violência.
A pesquisa mostra que seis em cada dez mulheres relataram já ter passado por situações em que suas opiniões, ideias ou sugestões não foram levadas em consideração — comportamento associado à violência psicológica.
Entre as mulheres para as quais essa situação se aplica, 32% disseram já ter deixado de receber pensão alimentícia do ex-companheiro, o que pode configurar violência patrimonial contra a mulher.
Embora 81% dos entrevistados reconheceu que existem formas de violência contra mulheres além das agressões física e sexual, cada pessoa citou, em média, apenas 1,71 tipos de violência.
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Metodologia
A pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto Natura e pela Avon, com apoio do Movimento Pela Vida das Mulheres. As entrevistas foram conduzidas pela Quiddity.
Em 2026, foram realizadas 2.500 entrevistas na amostra nacional, além de um booster de 345 entrevistas em Alagoas, totalizando 2.845 casos. As entrevistas foram autoadministradas e realizadas online, por meio de captação em redes sociais.
Para a amostra nacional, o estudo informa nível de confiança de 95% e margem de erro de ±1,96 ponto percentual.
Uma em cada dez brasileiras já sofreu violência digital, diz pesquisa

