Uma startup americana de baterias, que descartou os planos de instalar sua primeira fábrica no Kentucky, optou por construí-la na China, expondo as limitações dos esforços do presidente Donald Trump para atrair a produção industrial de volta para os Estados Unidos, justamente quando ele recebe o presidente chinês Xi Jinping para uma cúpula.
A EnerVenue inicia a produção em sua fábrica na cidade de Changzhou, no leste da China, nesta quinta-feira (24), mesmo dia em que Trump se encontra com Xi em Washington, em meio à tensão nas relações entre as superpotências devido à guerra tarifária iniciada pelo presidente americano, em parte, para reativar a indústria e gerar empregos.
Henning Rath, diretor executivo da EnerVenue, que ingressou na empresa em abril, afirmou que a construção na China foi uma condição para aceitar o cargo.
Sem a fábrica na China, disse ele, “seria muito difícil, com o capital disponível, demonstrar que esta fábrica pode operar em grande escala”.
A EnerVenue, que tem seu departamento de pesquisa e desenvolvimento em Fremont, Califórnia, e foi fundada pelo professor de ciência de materiais de Stanford, Yi Cui, fabrica baterias de níquel-hidrogênio derivadas da tecnologia que a Nasa usou no Telescópio Espacial Hubble e na Estação Espacial Internacional.
Em 2023, a empresa anunciou um plano para uma fábrica no Kentucky, com uma primeira fase orçada em US$ 264 milhões e que criaria 450 empregos, mas o projeto foi abandonado um ano depois.
Rath, falando enquanto engenheiros testavam braços hidráulicos giratórios e robôs guiados por lidar transportavam materiais entre estações de produção, disse que o projeto em si foi uma “experiência de aprendizado valiosa”, mas que a tecnologia ainda não estava pronta.
A EnerVenue passou a redesenhar tanto a bateria quanto a fábrica.
A empresa pretende atingir uma capacidade anual de 250 megawatts-hora este ano, o equivalente a cerca de 300 células de bateria por dia, aumentando para 1 gigawatt-hora até o terceiro trimestre de 2027.
A empresa também planeja abrir fábricas semelhantes na América do Norte, no Oriente Médio e na Europa a partir de 2028, com os locais a serem escolhidos no próximo ano, disse Rath.
Mas ele enfatizou que a China é a “fábrica das fábricas” e “um importante trampolim” rumo à produção global.
Questionado sobre se a EnerVenue abriria uma fábrica nos EUA, Rath disse: “Queremos atuar no mercado norte-americano. Isso depende um pouco da legislação e da regulamentação.”

