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Parlamentares do Brasil e mais 12 países condenam ataques dos EUA a barcos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Parlamentares do Brasil e mais 12 países condenam ataques dos EUA a barcos

Um grupo de mais de 70 parlamentares de 13 países emitiu uma declaração conjunta com críticas aos ataques lançados pelos Estados Unidos contra pequenas embarcações na América Latina.

A lista inclui políticos do Brasil (2), Colômbia (28), Estados Unidos (15), Equador (6), Argentina (5), Honduras (3), Canadá (2), Chile (2), México (2), Porto Rico (2), Uruguai (2), Guatemala (1), Paraguai (1) e Peru (1).

Entre os signatários está, por exemplo, a deputada democrata americana Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida por suas iniciais AOC. As deputadas Luciene Cavalcanete (PSOL-SP) e Ana Pimentel (PT-MG) são as únicas brasileiras a integrar o grupo.

A declaração afirma que os parlamentares se opõem “firmemente aos ataques do governo dos EUA contra pequenas embarcações no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental, os quais resultaram em centenas de execuções extrajudiciais de civis”.

No dia 24 de agosto, Forças Armadas dos EUA informaram que atacaram uma embarcação supostamente envolvida com tráfico de drogas no Pacífico Oriental. Foi o primeiro ataque deste tipo em mais de dois meses, apesar de não estar claro por que os ataques haviam sido interrompidos.

Antes da interrupção, militares americanos destruíram pelo menos 67 embarcações e mataram pelo menos 221 pessoas desde o início dessa operação, em setembro de 2025, segundo os números oficiais analisados pela CNN. 

“Exigimos o fim imediato dessas operações e pedimos com urgência aos governos de toda a região que se abstenham de facilitar essas graves violações do direito internacional”, acrescenta o comunicado.

Os parlamentares argumentam que “não há evidências de que qualquer um dos alvos representasse uma ameaça iminente que justificasse o uso de força letal” e destaca a falta de identificação das vítimas.

Como justificativa oficial, o governo Trump informou ao Congresso que estão em um “conflito armado” contra os cartéis de drogas e classificaram os mortos como “combatentes ilegais” e alegam ter o direito de realizar os ataques sem revisão judicial devido a uma conclusão sigilosa do Departamento de Justiça.

Alguns membros do Congresso dos EUA, assim como grupos de direitos humanos, questionaram essa conclusão e argumentaram que os potenciais traficantes de drogas deveriam ser julgados.

“As comunidades costeiras e pesqueiras enfrentam medo e incerteza, pois esses ataques colocam em risco suas vidas e seus meios de subsistência”, escreve o texto dos 72 parlamentares.

O grupo ainda argumenta que os ataques falharam em alcançar o objetivo de reduzir o narcotráfico: “Este é um resultado totalmente previsível após décadas da fracassada guerra contra as drogas.”

“Exigimos que o governo dos EUA ponha fim imediato e permanente a esses ataques e incentivamos todos os governos das Américas a se absterem de prestar qualquer assistência a eles. Nos comprometemos a utilizar nossas atribuições legislativas para promover a transparência, exigir justiça para as vítimas e encerar a cumplicidade de nossos governos em atos contrários ao direito internacional”, conclui o comunicado.

“Todos têm medo”, dizem pescadores do Caribe por ataques a barcos pelos EUA

Pescadores de uma vila no litoral colombiano relataram, no fim do ano passado, à correspondente da CNN Brasil, Luciana Taddeo, o medo e tensão em meio aos ataques lançados pelos EUA contra embarcações na região.

“Os pescadores têm medo, já não querem ir para longe das margens. Mas perto da margem tem menos peixe. Então antes, a gente precisava pescar quatro, cinco dias e agora tem que ficar 12 dias pescando para conseguir a mesma quantidade de peixes”, disse à CNN Brasil o pescador Iroldo Mato Manigua.

Francisco Cuello Garay pesca na praia desde pequeno e disse temer acabar sendo vítima.

Francisco Cuello Garay, pescador colombiano
Francisco Cuello Garay, pescador colombiano • CNN Brasil

“Aqui nós nos distanciamos 30 milhas de água [milhas náuticas, equivalente a cerca de 55 quilômetros] para pescar atum e outras coisas, não temos nada a ver com esses negócios [do tráfico], e eles começam a nos explodir. Nos veem a uma distância e bombardeiam. Olha o que aconteceu com nosso companheiro”, lamenta.

Segundo ele, a situação tem gerado temor e raiva entre os pescadores. Ele diz também que alguns deles pararam de pescar em mar aberto. “Quem quer ir até lá para ser explodido?”, questiona.

Os que têm coragem de se distanciar, acabam indo pescar sob estresse e tensão. É o que relata Roger Cantillo, que continua pescando longe da costa, mas com mais atenção e precauções.

“A gente sempre sai com medo, porque dizem que temos que ter cuidado porque nós pescamos em mar aberto. Sempre longe da costa, e vemos as notícias do que aconteceu com este pescador, e ficamos com temor”, diz.

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