A transformação promovida pela inteligência artificial vai além da tecnologia em si, segundo Eduardo López, presidente de Google Cloud para América Latina.
“Já não é uma questão de tecnologia, é uma questão de transformação”, declarou.
Para ele, assim como a internet representou uma revolução tecnológica no começo, a IA representa hoje uma transformação que abrange governos, empresas e a sociedade como um todo, criando novas formas de trabalho e de organização.
Olhando para a América Latina, López afirma que a região cresceu de forma expressiva nos últimos anos em termos de presença e consolidação da operação das empresas de tecnologia.
“O Brasil é muito importante para a América Latina e muito importante para o global”, cravou. O executivo destacou que a empresa mantém presença em diferentes cidades brasileiras, conta com data centers no país e segue expandindo sua capacidade de infraestrutura continuamente.
Democratização da IA passa pela educação
Ao abordar o conceito de democratização da inteligência artificial, López apresentou um estudo desenvolvido pela empresa que identifica quatro pilares para que um país seja bem-sucedido com IA.
Entre eles, destacou a infraestrutura tecnológica — sobre a qual afirma que o Brasil já apresenta boa conectividade — e, sobretudo, a educação.
“Para nós, educação é democratização. Você não pode democratizar se as pessoas não têm conhecimento para usar”, afirmou.
Nesse contexto, ele revelou que o Google Cloud tem o desafio de treinar 3 milhões de brasileiros em inteligência artificial em diferentes níveis, não apenas técnicos. A empresa também mantém acordos com mais de 200 universidades para a formação de profissionais especializados.
López enfatizou que o objetivo da educação tecnológica é amplo: “estamos falando da minha tia, para que no dia a dia ela use e possa melhorar. Estamos falando dos governos, já que os governos têm um impacto muito importante na vida das pessoas”.
Transformação cultural nas empresas
López também abordou o impacto da IA no ambiente corporativo. Ele observou que, nos últimos dois ou três anos, a tecnologia deixou de ser assunto exclusivo das áreas de TI e passou a envolver diretamente as lideranças das organizações.
“Os presidentes das empresas estão interessados”, disse, acrescentando que o Google Cloud realiza workshops de cultura e academias de IA voltados para executivos, justamente para que eles comecem a pensar de forma diferente.
Entre os principais desafios enfrentados pelas empresas nesse processo, ele citou a transformação cultural, o upskilling (a capacitação contínua dos colaboradores) e a reinvenção de processos internos.
“A cultura da empresa tem que mudar. Tem que ser uma cultura aberta, uma cultura de teste”, afirmou o presidente do Google Cloud na América Latina.
Brasil está preparado para a IA
Ao ser questionado sobre se o Brasil está preparado para acompanhar a velocidade das transformações promovidas pela inteligência artificial, López se mostrou otimista.
Ele citou dados que indicam que 71% dos brasileiros já percebem que a IA melhora suas vidas, seja no âmbito profissional ou pessoal.
“Eu acho que o Brasil está super preparado”, pontuou, destacando ainda que empresas brasileiras já estão realizando investimentos significativos em transformação digital e aprendizado tecnológico.
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