O pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, negou envolvimento com o grupo conhecido como “A Turma”, investigado pela Polícia Federal por supostas ameaças e intimidações a adversários do filho. Em carta dirigida ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), com cópia aos demais integrantes da Corte, ele sustenta que os contatos e pagamentos apontados pela investigação estavam ligados a negócios imobiliários.
A correspondência, datada de segunda-feira (21), foi apresentada ao Supremo nesta terça-feira (22). A defesa afirma que Henrique ainda não foi ouvido e pede que a carta seja juntada ao processo como forma de exercer seu direito de autodefesa.
Henrique contesta a interpretação dada pela PF a mensagens envolvendo pessoas ligadas ao grupo. Segundo ele, os valores cobrados correspondiam à pagamentos de empreendimentos.
“Se pagavam alguém ou se usavam esse recebimento para qualquer turma ou pessoa, eu não tenho simplesmente nada a ver com isso, não conheço nem sei de turma nenhuma”, escreveu.
Segundo a PF, “A Turma” reunia pessoas que atuavam para atacar e intimidar adversários de Daniel Vorcaro. A investigação também identificou mensagens que indicariam ameaças a jornalistas. Pai e filho têm depoimentos marcados para 30 de setembro, quando deverão ser questionados sobre a rede de contatos investigada.
Na carta, Henrique também pede a revogação da prisão preventiva e relata problemas de saúde durante o período em que está detido. Diz ter sofrido crises de diverticulite, dores abdominais e oscilações de pressão arterial, além do uso contínuo de antibióticos.
“Minha vida corre perigo”, escreveu o investigado, que está preso desde maio.
Na semana passada, a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou favoravelmente a um pedido para que Henrique deixe temporariamente o presídio e realize exames médicos com um especialista que acompanha seu tratamento.
A Procuradoria afirmou que, embora a avaliação feita na unidade prisional não tenha identificado situação de urgência, não via impedimento para a realização dos procedimentos.
A apresentação da carta ocorre em meio à indefinição sobre a tramitação dos processos relacionados ao Master no Supremo. Na semana passada, a defesa pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que retirasse o processo de Henrique da suspensão determinada durante a crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, permitindo a análise dos recursos e pedidos relacionados à prisão.
Henrique também pediu que não fosse associado às investigações do Banco Master apenas por ser pai de Daniel Vorcaro. Segundo ele, o filho o mantinha afastado dos negócios do banco.
“Até entendo os holofotes sobre o Caso Master, mas não queiram me arrastar para dentro disso só porque eu sou pai do Daniel. Tenho muitos negócios, todos honestos. Preciso da minha reputação e dignidade restauradas, por favor sejam corretos e justos”, escreveu.

