O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos. A informação foi confirmada à CNN Brasil pela Academia Brasileira de Letras. Ele foi o sétimo ocupante da Cadeira n.º 32 da ABL, eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna.
Ventura passou por diversas redações no Brasil e foi considerado pela ONU “um dos cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos anos”, em 2010.
Como escritor, ele ganhou destaque com a obra “1968 – O Ano que não Terminou”, que retrata os eventos políticos, culturais e sociais do ano no Brasil e vendeu mais de 400 mil exemplares.
O jornalista foi casado por mais de seis décadas com Mary Ventura, com quem teve dois filhos: Elisa e Mauro.
Quem foi Zuenir Ventura?
Bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, Zuenir Ventura foi jornalista, ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ele ingressou no jornalismo como arquivista em 1956. Nos anos 1960, conquistou bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. De 1963 a 1969, exerceu vários cargos em diversos veículos: foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de redação da revista Fatos & Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal-Rio da revista Visão-Rio.
No fim de 1969, realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens sobre “Os anos 60 – a década que mudou tudo”, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou para a revista Visão, permanecendo como chefe de Redação da sucursal-Rio até 1977, quando se transferiu para a revista Veja, exercendo o mesmo cargo. Em 1981, transferiu-se para a revista IstoÉ, como diretor da sucursal. Em 1985, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.
Em 1988, Ventura lançou o livro “1968 – o ano que não terminou”, que vendeu mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme “O homem que disse não”, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.
Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, que lhe rendeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 1994, lançou “Cidade partida”, um livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, traduzido na Itália, com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem.

