Pessoas com deficiência vivem em piores condições de moradia do que aquelas sem deficiência, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (18). As desigualdades aparecem no acesso à moradia, ao saneamento e à mobilidade urbana.
O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é comemorado nesta segunda-feira (21).
O levantamento, feito a partir do cruzamento de dados do Censo Demográfico 2022 e da Munic (Pesquisa de Informações Básicas Municipais), mostra limitações na infraestrutura do entorno das residências e no acesso a serviços básicos e tecnologias nos domicílios.
Informações do Censo Escolar, do Censo da Educação Superior e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também serviram como base para a pesquisa.
Acessibilidade e saneamento
O levantamento aponta disparidades nas condições de moradia enfrentadas por pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência. Os maiores problemas são em relação ao acesso à internet e infraestrutura doméstica.
Em 2022, dos 16,4 milhões de residentes em favelas e comunidades urbanas, 1,25 milhão (7,6%) eram pessoas com deficiência. Desse total, apenas 56,6% das pessoas com deficiência tinham acesso simultâneo a esgotamento sanitário, abastecimento de água e coleta de lixo. Entre as pessoas sem deficiência, o percentual era de 60,2%.
A diferença também aparece no acesso a equipamentos e serviços dentro dos domicílios. Segundo o IBGE, cerca de 60,4% das pessoas com deficiência tinham máquina de lavar, ante 68,9% entre as pessoas sem deficiência.
Em relação ao acesso domiciliar à Internet, 78,9% das pessoas com deficiência tinham acesso domiciliar ao serviço, enquanto a proporção chegava a 90,2% entre as pessoas sem deficiência.
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Infraestrutura
A infraestrutura no entorno das moradias também apresenta desigualdades. A Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios, realizada em 2022 previamente à operação censitária, apontou que 67,4% das pessoas com deficiência residiam em moradias sujeitas a obstáculos nas calçadas.
Ainda que 83,4% contassem com calçada ou passeio e 97,6% tivessem iluminação pública no entorno, apenas 12,9% das pessoas com deficiência viviam em áreas com rampas para cadeirantes.
Nas regiões Nordeste e Norte a proporção foi ainda menor no quesito infraestrutura, onde 7,4% e 8,2% das pessoas com deficiência, respectivamente, tinham acesso a rampas no entorno das moradias. No Sul, o percentual chegava a 23,9%, enquanto no Centro-Oeste era de 21,5%. No Sudeste, a proporção era de 12,5%.
Segundo o IBGE, também havia diferença segundo cor ou raça. Entre as pessoas com deficiência brancas, 16,3% viviam em áreas com rampas para cadeirantes. O percentual era de 10,4% entre pardas e 9,7% entre pretas.
No levantamento, 7,0% dos moradores de domicílios particulares permanentes ocupados nas áreas urbanas eram pessoas com deficiência, o equivalente a 12,2 milhões de pessoas.
Mobilidade urbana
Em relação ao deslocamento urbano, pessoas com deficiência também enfrentam maiores dificuldades do que pessoas sem dificiência.
De acordo com o IBGE, as pessoas com deficiência gastam, em média, 12% mais tempo para chegar ao trabalho (37 minutos) do que os sem deficiência (33 minutos).
O transporte mais utilizado pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade com deficiência foi o ônibus ou BRT (24,7%). Entre as pessoas sem deficiência, prevaleceu automóvel, táxi ou assemelhados (32,8%).
Além disso, as pessoas com deficiência precisam se locomover mais a pé (23,7%) e de bicicleta (7,8%) do que os sem deficiência (17,4% e 6,1%, respectivamente).
Já em uma análise por sexo e cor ou raça, o levantamento mostrou que, entre as mulheres pretas ou pardas com deficiência, 16,5% dispendiam mais de 1 hora no trajeto casa-trabalho, número superior ao de qualquer outro grupo nessa comparação. Os homens brancos sem deficiência nessa situação eram 9,0%.

