A primavera de 2026 começa nesta terça-feira (22), às 21h05, pelo horário de Brasília, e deve ser marcada por temperaturas acima da média, mudanças no regime de chuvas e maior ocorrência de tempestades em diferentes áreas do país.
A estação segue até 21 de dezembro, às 18h50. Segundo a Nota Técnica Conjunta do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), do CPTEC/Inpe (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) e da Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos), o período representa a transição entre a estação seca e a chuvosa, principalmente na porção central do Brasil.
O cenário será influenciado pelo El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial. A previsão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) indica mais de 95% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre formado por outubro, novembro e dezembro.
De acordo com o Inmet, com o avanço da estação, a atmosfera tende a intensificar o transporte de umidade da Amazônia, favorecendo o período chuvoso no Centro-Oeste, no Sudeste e em parte do centro-sul da região Norte. Os primeiros episódios de ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) também podem ocorrer durante a primavera, com chuva principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste, além de áreas do Acre e de Rondônia. Na região Sul, também há possibilidade de CCMs (Complexos Convectivos de Mesoescala), associados a chuva forte, rajadas de vento, descargas atmosféricas e eventual granizo.
O aquecimento progressivo da atmosfera deve favorecer ainda a ocorrência de ondas de calor e aumentar o contraste entre massas de ar quente e frentes frias, condição que pode provocar a formação rápida de tempestades severas.

A Climatempo também prevê uma primavera mais quente do que o normal em grande parte do país e ressalta o risco elevado de ondas de calor, especialmente a partir de outubro. A previsão destaca ainda que o El Niño deve reforçar o contraste entre chuva acima da média no Sul e calor e menor precipitação no Centro-Norte do país.
Região Sul
A região Sul deve concentrar os maiores volumes de chuva durante a primavera. A previsão conjunta do Inmet, CPTEC/Inpe e Funceme aponta possibilidade de precipitações acima da média nos três estados, com os maiores desvios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde os acumulados podem superar a média histórica do trimestre em até 200 milímetros.
O excesso de chuva também deve vir acompanhado de episódios de tempo severo. Na primavera, a região pode registrar CCM, sistemas associados a chuva intensa, rajadas de vento, descargas elétricas e eventual queda de granizo.
A Climatempo também prevê uma primavera especialmente tempestuosa no interior da região. Segundo a previsão, o Paraná deve concentrar mais chuva no início da estação, enquanto o foco tende a se deslocar gradualmente para o Rio Grande do Sul. O oeste, sul e sudoeste do Paraná, o oeste e meio-oeste de Santa Catarina e o norte e noroeste gaúcho aparecem entre as áreas com maior excesso de precipitação.
Apesar do predomínio de chuva, o calor não ficará totalmente afastado. A previsão indica temperaturas acima da média em grande parte da região, sobretudo no leste do Paraná. No Rio Grande do Sul, os valores devem ficar mais próximos da média, com possibilidade de temperaturas abaixo do normal no sul do estado.
Região Sudeste
No Sudeste, o cenário será marcado pela combinação de calor e chuva irregular. O Inmet prevê excesso de precipitação em todo o estado de São Paulo, no Rio de Janeiro e no centro-sul de Minas Gerais, com desvios positivos de até 100 milímetros. Já grande parte do Espírito Santo pode ter chuva abaixo da média, com déficit de até 50 milímetros.
As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região. Os maiores desvios, de até 1°C, são esperados no centro de Minas Gerais e no nordeste de São Paulo.
São Paulo deve alternar períodos de calor intenso com episódios de chuva forte. Segundo a Climatempo, há risco elevado de temporais e de condições de tempo severo no estado. Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Rio de Janeiro também aparecem entre as áreas que merecem atenção para temporais, principalmente em outubro e novembro.
Em Minas Gerais, Espírito Santo e em parte do Rio de Janeiro, os períodos quentes devem predominar. A previsão aponta ainda para chuva mal distribuída em Belo Horizonte e para picos de calor associados à passagem de frentes frias no litoral do Sudeste.
Região Centro-Oeste
O Centro-Oeste terá diferenças importantes dentro da própria região. O prognóstico aponta déficit de chuva no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás, enquanto Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás apresentam tendência de chuva acima da média.
A Climatempo também desataca a diferença de previsão entre Mato Grosso do Sul e os demais estados. O estado deve ter mais episódios de chuva, enquanto Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal podem enfrentar demora na regularização das precipitações e períodos de estiagem em meio à estação chuvosa.
As temperaturas, por outro lado, devem ficar acima da média em praticamente toda a região. No norte de Mato Grosso, os desvios podem chegar a 2°C acima da climatologia.
Região Norte
A região Norte deve ter uma primavera mais seca e quente. O prognóstico indica déficit de chuva em praticamente todo o território, com possibilidade de acumulados de até 200 milímetros abaixo da média em Roraima, no norte e nordeste do Amazonas e no oeste e centro-sul do Pará.
As exceções são o leste do Acre, o extremo noroeste do Pará e o norte do Amapá, onde a chuva deve ficar próxima da média histórica. Mesmo assim, a temperatura tende a ficar acima da climatologia em toda a região, com desvios de até 2°C.
A previsão da Climatempo reforça a possibilidade de uma estação seca mais prolongada, especialmente no leste do Amazonas e no noroeste do Pará. Em Belém, ainda são esperadas pancadas isoladas, mas sem ocorrência diária garantida. Em Manaus, a transição para o período chuvoso entre novembro e dezembro deve ser menos definida.
Região Nordeste
No Nordeste, a tendência é de calor acima da média e déficit de chuva. O prognóstico aponta possibilidade de temperaturas até 2°C superiores à média climatológica em alguns estados. A principal exceção em relação à chuva está no setor leste, entre o Rio Grande do Norte e Alagoas, onde podem ocorrer volumes ligeiramente acima da média.
O calor e a pouca chuva devem ser mais evidentes no interior. A Climatempo também prevê uma primavera mais seca do que o normal e destaca a possibilidade de períodos de calor intenso no interior nordestino. No litoral da Bahia, porém, episódios de chuva forte podem ocorrer em razão das condições do oceano. De forma geral, a combinação de temperaturas elevadas e menor disponibilidade de chuva deve favorecer períodos de baixa umidade e prolongar a estação seca em parte do centro-norte do país.
ONU prevê El Niño muito forte, alerta para extremos e projeta pico em 2026

