A Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) divulgou uma carta em que pede ao futuro presidente do país que transforme a competitividade do algodão em política de Estado e não de governo.
O documento defende que o próximo governo reconheça a cadeia do algodão como estratégica para o desenvolvimento econômico, o fortalecimento da indústria e o avanço de uma produção cada vez mais sustentável no país.
A mensagem, que tem apoio de entidades estaduais do setor, ressalta que a reorganização das cadeias globais de suprimentos, a crescente competição por investimentos, a transição para uma economia de baixo carbono e o fortalecimento de novas exigências regulatórias relacionadas à sustentabilidade e à rastreabilidade apresentam desafios para as economias exportadoras.
“A Agenda da Cotonicultura 2027-2030 parte do entendimento de que investir na competitividade do algodão brasileiro significa fortalecer a economia nacional, ampliar a agregação de valor industrial, estimular a inovação tecnológica, promover o desenvolvimento regional e consolidar o Brasil como referência mundial na produção sustentável de fibras naturais,” disse a entidade.
O texto também salienta que a competitividade impacta diretamente a geração de renda, emprego, divisas, agregação de valor industrial e a inserção estratégica do Brasil nos mercados globais de fibras naturais.
Apesar do bom desempenho do setor, a associação alerta para desafios que ainda pesam sobre a competitividade do algodão, como a insegurança jurídica, a complexidade das regras, os gargalos de infraestrutura e logística, as dificuldades para lidar com riscos climáticos e o surgimento de novas barreiras ao comércio internacional.
Com isso, a carta reúne diversas prioridades que, na avaliação da Abrapa, devem entrar na agenda do próximo governo. Entre elas estão a redução da dependência brasileira de fertilizantes importados, o avanço da regulamentação dos bioinsumos, a busca por maior segurança jurídica e estabilidade regulatória, além da preservação da competitividade do algodão durante a implementação da reforma tributária.
Na área de política agrícola, a Abrapa defende a modernização dos mecanismos de financiamento e de gestão de riscos, além de maior acesso ao mercado de capitais.
A entidade também propõe o desenvolvimento de novas garantias e instrumentos financeiros e o fortalecimento do seguro rural, considerado essencial para dar mais segurança ao produtor diante das incertezas do setor.
“O crescimento do endividamento rural, a limitação dos recursos destinados ao seguro agrícola, a maior frequência de eventos climáticos extremos e as restrições fiscais impõem a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de crédito e gestão de riscos. Torna-se necessário ampliar o acesso ao mercado de capitais, desenvolver novas modalidades de garantias, estimular instrumentos financeiros inovadores, fortalecer os seguros agropecuários e facilitar o acesso a recursos voltados à agenda climática. Uma estrutura financeira mais diversificada permitirá ampliar investimentos, elevar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas e sustentar o crescimento da produção em bases competitivas,” frisou.
Outro ponto destacado pela entidade é a necessidade de políticas públicas que estimulem o uso de fibras naturais e contribuam para fortalecer a indústria têxtil brasileira.
“Diante da crescente preocupação mundial com os impactos ambientais das fibras sintéticas derivadas de combustíveis fósseis, o algodão brasileiro reúne características que o qualificam como matéria-prima renovável, biodegradável e ambientalmente responsável, especialmente quando produzido sob sistemas certificados e rastreáveis,” finalizou a entidade.

